

Em Palmas, 24.916 pessoas tinham 60 anos ou mais no Censo 2022, segundo dados do IBGE divulgados pela Prefeitura. Com o envelhecimento da população, os cuidados com a saúde dos olhos ganham importância, principalmente porque algumas alterações na visão surgem de forma gradual e podem passar despercebidas.
A perda visual nem sempre acontece de maneira repentina. Aos poucos, atividades simples como ler, cozinhar, caminhar, reconhecer rostos ou se movimentar em ambientes com pouca iluminação podem se tornar mais difíceis. Muitas vezes, a própria pessoa se adapta às limitações sem perceber o impacto que elas já provocam na rotina.
Por isso, o acompanhamento oftalmológico não deve começar apenas quando a dificuldade para enxergar já interfere no dia a dia. A avaliação periódica permite identificar alterações relacionadas ao envelhecimento e doenças que podem evoluir sem apresentar sintomas claros no início.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas de visão entre pessoas idosas podem estar associados a dificuldades de locomoção, isolamento social e aumento do risco de quedas e fraturas.
De acordo com a oftalmologista Ana Beatriz Dias, do Hospital de Olhos de Palmas, diferentes problemas podem provocar sintomas parecidos e precisam ser avaliados individualmente.
“A pessoa pode acreditar que está apenas precisando trocar os óculos, mas a causa da dificuldade visual pode estar no grau, no cristalino, na retina, no nervo óptico ou no campo de visão”, explica.
Durante a consulta, são avaliados fatores como acuidade visual, pressão intraocular, necessidade de correção, retina e nervo óptico. A avaliação é importante principalmente porque algumas doenças oculares podem avançar de maneira silenciosa.
Entre as alterações mais comuns está a presbiopia, conhecida como vista cansada, que dificulta a visão de perto e costuma aparecer a partir dos 40 anos. Já a catarata provoca o embaçamento progressivo da visão devido à opacificação do cristalino.
O glaucoma também merece atenção, pois pode não apresentar sinais perceptíveis nas fases iniciais e comprometer principalmente a visão periférica. Outra condição é a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que afeta a visão central, essencial para atividades como leitura, reconhecimento de rostos e percepção de detalhes.
Alguns sinais, porém, exigem avaliação médica sem demora. Entre eles estão enxergar linhas retas como se estivessem tortas ou onduladas, perceber uma mancha no centro da visão, sentir dor ocular intensa ou apresentar piora súbita da capacidade de enxergar.
A frequência das consultas pode variar conforme fatores como histórico familiar, diabetes, hipertensão, uso de determinados medicamentos, doenças oculares anteriores e surgimento de novos sintomas.
Atenção aos sinais
Familiares também podem ajudar a identificar mudanças que nem sempre são percebidas ou relatadas pela pessoa idosa. Abandonar o hábito de ler, aproximar objetos excessivamente do rosto, evitar locais com pouca iluminação ou demonstrar insegurança em tarefas que antes eram realizadas normalmente podem ser sinais de dificuldade visual.
“O check-up não serve apenas para prescrever óculos. Ele permite acompanhar riscos, orientar o tratamento quando necessário e evitar que uma alteração visual só seja percebida quando já trouxe prejuízo para a autonomia do paciente”, destaca a oftalmologista.
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