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Mercado de calçados cresce com foco sustentável

Setor deve atingir US$ 5,9 bilhões até 2034, impulsionado por inovação e novos materiais.

27/03/2026 às 16h03
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Imagem do Grupo Aby's
Imagem do Grupo Aby's

O mercado brasileiro de calçados segue uma trajetória de crescimento, marcada por mudanças no comportamento do consumidor e pela evolução da indústria. De acordo com o relatório da consultora IMARC Group, o mercado movimentou US$ 4,4 bilhões em 2025, valor que deve chegar a US$ 5,9 bilhões até 2034, considerando uma taxa média de crescimento anual (CAGR) de 3,22% entre 2026 e 2034. Segundo a consultoria, esse avanço é impulsionado por três fatores profundamente interligados: a alta demanda doméstica, o aumento da renda disponível e a expansão do varejo.

O cenário global apresenta métricas semelhantes. Conforme projeções da Fortune Business Insights, o setor deve ultrapassar a marca dos US$ 500 bilhões em 2026. Para a pesquisadora, os pilares que sustentam este crescimento são a urbanização, a expansão da classe média e o avanço do comércio digital (e-commerce). Para a Research and Markets, há ainda outros dois fatores responsáveis por este avanço: os modelos de venda direct-to-consumer (D2C) e o aumento da competitividade entre marcas globais e regionais.

Além da expansão do setor, o relatório da IMARC sobre o mercado brasileiro de calçados aponta a sustentabilidade como um dos principais vetores de transformação da indústria. Conforme a análise, a crescente preocupação ambiental tem impulsionado mudanças relevantes na cadeia produtiva, com destaque para a adoção de materiais alternativos ao couro, o desenvolvimento de processos produtivos mais eficientes e a busca por soluções que reduzam o impacto ambiental em todas as etapas, da fabricação ao consumo.

Nesse contexto, o Grupo Aby’s, varejista com forte presença no Nordeste do país, acompanha essa tendência que, de acordo com o CEO do grupo, Marcos Tavares, vem sendo construída ao longo de anos. "A demanda por produtos sustentáveis no Brasil já acontece há cerca de 20 anos, inicialmente muito ligada à acessibilidade. Mas, com o tempo, fatores como agilidade produtiva e a agenda ESG também passaram a ganhar relevância", pontua o executivo, que coordena a operação de 42 lojas, nos modelos de multimarcas e franquias.

Atualmente, mais de 80% dos artigos da marca utilizam materiais alternativos ao couro, refletindo a transformação do setor e de comportamento. "Hoje, para o consumidor, um produto de qualidade não precisa necessariamente ser de couro. Preço, conforto e design passaram a ter um peso maior na decisão de compra", explica o CEO, que atua também como vice-presidente e diretor administrativo da Associação Comercial de Maceió.

Segundo Tavares, essa mudança também acompanha a popularização de calçados casuais e esportivos, um dos segmentos que mais crescem globalmente. "O uso de tênis e outros produtos casuais reforçou esse movimento. São artigos que, em sua maioria, já são produzidos com materiais alternativos, o que amplia ainda mais sua participação no mercado", observa o varejista.

Na sua visão, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma exigência do mercado. "Mais do que uma estratégia, é uma necessidade. O mercado exige. Em muitos casos, o diferencial passou a ser justamente o uso do couro, especialmente para um público mais específico e conservador", ressalta Marcos.

Além do impacto ambiental, o uso de materiais alternativos está diretamente ligado à eficiência produtiva e à acessibilidade dos produtos, pontos destacados pelos estudos como fundamentais para o crescimento do setor. "A produção em maior escala torna os produtos mais acessíveis, permitindo ao consumidor mais opções. Isso contribui para o crescimento do setor, a geração de empregos e uma maior competitividade", acrescenta o executivo.

Tavares ressalta ainda que, embora os materiais alternativos já estejam consolidados, o próximo desafio da indústria está na gestão do ciclo de vida dos produtos, ponto que começa a ganhar relevância nos relatórios internacionais. "O uso desses materiais já é uma realidade global. O diferencial daqui para frente será como lidar com o pós-consumo: reciclagem, reaproveitamento e descarte adequado dos produtos", avalia o empreendedor.

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