Para Italo Calvino, “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. Na música temos muitos álbuns considerados clássicos em diversos movimentos. Segundo a revista Rolling Stone, Abbey Road (The Beatles, 1969), Nevermind (Nirvana, 1991), Thriller (Michael Jackson, 1982), The Dark Side of the Moon (Pink Floyd, 1973) e Red (Taylor Swift, 2012) estão entre os 100 melhores discos de todos os tempos. Red ganha destaque pelo marketing em torno da obra, mas o que cada um destes álbuns têm em comum? Cada um desses discos ainda fala com o presente, cada um à sua maneira e com resquícios do contexto em que foi produzido.
The Dark Side of the Moon fala sobre futilidades ligadas ao dinheiro, a forma como desperdiçamos o nosso tempo, já Red comunica sobre as vulnerabilidades modernas. Os assuntos não mudaram, mas a forma como cada geração absorve o tema sim.
Gosto da definição de Calvino sobre clássicos, pois ela afirma que lemos ou ouvimos clássicos não para nos lembrar do passado, mas para refletir sobre o presente. Ainda que as músicas desses discos citados tenham sido compostas em contextos distintos, cada geração tem a capacidade de interpretar e atribuir sentido à sua maneira.
No Brasil temos bons exemplos de discos clássicos que atravessaram gerações, como Chega de Saudade (João Gilberto, 1959), Secos e Molhados (Secos e Molhados, 1973), Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges, 1972), Cartola (Cartola, 1976) e Samba Esquema Novo (Jorge Ben, 1963). Esses álbuns são considerados clássicos, pois são exemplos de ruptura, não só estética, mas de discurso. Foram músicas feitas para revolucionar estilos e algumas como protesto em suas épocas. Apesar disso, elas permanecem comunicando com as novas gerações não como um recorte do passado, mas como uma análise no presente, pois a mensagem ainda perdura.
Trazendo esse contexto de clássicos para o presente, que álbuns recentes podem vir a se tornar clássicos no futuro? Venho pensando em uma lista há algum tempo e o que vou propor agora é bem pessoal baseado no que costumo ouvir cotidianamente.
Canções de Apartamento (Cícero, 2011)
Monomania (Clarice Falcão, 2013)
Troco Likes (Tiago Iorc, 2015)
Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (Emicida, 2015)
A Mulher do Fim do Mundo (Elza Soares, 2015)
Tropix (Céu, 2016)
Melhor do que Parece (O Terno, 2016)
O Tempo é Agora (Anavitória, 2018)
Mil Coisas Invisíveis (Tim Bernardes, 2022)
Caju (Liniker, 2024)
Menções honrosas: As Plantas que Curam (Boogarins, 2013); Amianto (Supercombo, 2014); Duas Cidades (BaianaSystem, 2016); Recomeçar (Tim Bernardes, 2017); AmarElo (Emicida, 2019).
Analisando o teor desses álbuns que eu considero que podem vir a se tornarem clássicos no futuro (se é que já não o são), notamos que há novamente uma ruptura, dessa vez de comportamento. A geração atual não versa sobre conflitos externos, pois está mais preocupada com o “eu”. Não que isso seja um defeito, mas uma escolha de refletir sobre si mesmo antes de resolver conflitos criados por gerações passadas. Os discos de Elza Soares e Emicida que aparecem na minha lista fogem dessa lógica, pois são artistas de outra geração, mais adaptada a tratar de assuntos sociais e coletivos.
Portanto, um clássico não é um álbum que fez sucesso em uma época e ainda é famoso, mas um disco capaz de se comunicar através das gerações. A nova geração de artistas rompe com a lógica de resolver conflitos externos, buscando resolver seus próprios conflitos.
Obrigado por ler minhas Divagações. Leia mais em www.divagacoes.com.br
Sucuri Cobra de 2,5 metros é capturada após aparecer na entrada de UPA no norte do Tocantins
Geral Indígenas pedem territórios livres da exploração de petróleo
Geral Mega-Sena sorteia nesta quinta-feira prêmio acumulado em R$ 20 milhões
Benefício Prazo para atualização do Bolsa Família termina dia 24 e mobiliza 4,7 mil beneficiários em Porto Nacional
Levantamento Furto de energia no TO cresce e volume daria para abastecer cidade inteira
Agora Ocupação em fazenda no norte do Tocantins mobiliza MST e termina com seis conduzidos à delegacia