Polícia Em Miracema

Justiça manda prender 23 PMs investigados por chacina com sete mortes em Miracema

Policiais são suspeitos de participação em execuções, tortura e destruição de provas após sequência de crimes ocorrida em 2022.

08/05/2026 09h45
Por: Francisco Costa
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares investigados por participação em uma chacina que deixou sete mortos em fevereiro de 2022. Além das prisões, a Justiça também aplicou uma série de medidas cautelares contra os envolvidos.

Os militares deverão se apresentar nesta sexta-feira (8) no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Palmas. Em seguida, serão encaminhados à Delegacia-Geral da Polícia Civil.

Segundo a decisão judicial, os crimes teriam sido cometidos como represália à morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa, durante um suposto confronto em uma plantação de mandioca. Após a morte do policial, uma sequência de assassinatos foi registrada em Miracema.

Entre os casos investigados está a invasão da delegacia da cidade por homens encapuzados, que terminou com as mortes de Manoel Soares da Silva e do filho dele, Edson Marinho da Silva. Pouco depois, Valbiano Marinho da Silva, outro integrante da família, também foi executado.

No dia seguinte, os corpos de Aprigio Feitosa da Luz, Gabriel Alves Coelho e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. As investigações apontam que as vítimas foram sequestradas, torturadas e executadas. Apenas um jovem teria sobrevivido.

A decisão foi assinada pelos juízes Marcello Rodrigues de Ataídes, Renata do Nascimento e Silva e Valdemir Braga de Aquino Mendonça. O documento destaca que os investigados representam risco à ordem pública e poderiam intimidar testemunhas ou destruir provas.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, viaturas oficiais, armamentos do Estado e sistemas de comunicação teriam sido usados durante as ações criminosas. Também há suspeitas de adulteração de rastreamento por GPS e retirada de HDs de câmeras de segurança para ocultar provas.

Além das prisões, a Justiça determinou:

  • afastamento imediato das funções públicas;
  • suspensão do porte e posse de armas;
  • proibição de acesso a unidades policiais;
  • proibição de contato com testemunhas, familiares das vítimas e investigadores.

Em nota, a Polícia Militar informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral e afirmou que não compactua com desvios de conduta.

Íntegra da nota da Polícia Militar

 

A Polícia Militar do Tocantins informa que tomou conhecimento da decisão judicial que determinou o cumprimento de medidas cautelares em desfavor de policiais militares, incluindo mandados de prisão preventiva e medida de afastamento das funções públicas, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado do Tocantins.

 

A Corporação esclarece que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO, prestando o apoio institucional necessário ao cumprimento das determinações judiciais e às autoridades responsáveis pela investigação.

A Polícia Militar do Tocantins reafirma que não compactua com quaisquer desvios de conduta praticados por seus integrantes, mantendo o compromisso permanente com a legalidade, a ética, a disciplina e a transparência institucional.

Ressalta-se que os fatos são objeto de apuração pelos órgãos competentes, sendo assegurados aos envolvidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme prevê a legislação vigente.

A Polícia Militar do Tocantins seguirá colaborando com as instituições responsáveis, reafirmando seu compromisso com a preservação da ordem pública, da credibilidade institucional e da confiança da sociedade tocantinense.

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