A morte de um sargento da Polícia Militar desencadeou uma sequência de crimes que chocou Miracema do Tocantins e agora voltou ao centro das atenções após a prisão de 23 policiais militares suspeitos de envolvimento no caso.
Os crimes aconteceram em fevereiro de 2022 e deixaram sete mortos em menos de dois dias.
Segundo a investigação, tudo começou após a morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa durante um confronto armado em uma plantação de mandioca na zona rural da cidade.
Horas depois do confronto, Valbiano Marinho da Silva, apontado como suspeito de participar da troca de tiros, foi morto dentro da casa da mãe.
A partir daí, a violência aumentou rapidamente.
Delegacia foi invadida durante a madrugada
Na manhã seguinte ao confronto, homens encapuzados invadiram a delegacia de Miracema.
Dentro da unidade, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e irmão de Valbiano, foram executados.
As investigações apontam que viaturas chegaram a circular nas proximidades da delegacia antes dos disparos.
A suspeita é de que a ação tenha sido organizada como forma de represália.
Jovens foram levados para loteamento
No mesmo dia, quatro jovens foram abordados em um posto de combustível.
Segundo a Polícia Civil, eles foram colocados em veículos sob a justificativa de serem levados para a delegacia.
Mas o grupo acabou levado para o loteamento Jardim Buriti.
No local, três jovens foram mortos a tiros. Um conseguiu sobreviver.
As vítimas foram identificadas como Aprígio Feitosa da Luz, Gabriel Alves Coelho e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues.
Investigação aponta planejamento
Quatro anos após o caso, a Justiça determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares investigados por participação na chacina.
A decisão aponta indícios de organização prévia, divisão de tarefas e tentativa de esconder provas.
Entre os elementos citados está um grupo de mensagens chamado “Operação Anamon”, criado horas antes da invasão à delegacia.
Os investigadores também apuram suspeitas de adulteração de GPS de viaturas, destruição de provas e recolhimento de imagens de câmeras de segurança.
Entre os investigados estão policiais de diferentes patentes, incluindo oficiais da corporação.
Defesa nega participação
Os advogados dos militares afirmam que os policiais são inocentes.
A defesa também questiona as prisões preventivas, alegando que os fatos aconteceram há mais de três anos.
O que diz a PM
Em nota, a Polícia Militar do Tocantins informou que acompanha as investigações por meio da Corregedoria da corporação.
A instituição afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta e que segue colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso.
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