
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, que morreu neste domingo (14), aos 30 anos, deixa uma trajetória marcada pela defesa dos direitos indígenas, pela valorização da educação e pela abertura de novos caminhos para os povos originários no Tocantins.
Em nota de pesar, a Universidade Federal do Tocantins (UFT) destacou que Mairu foi um dos pioneiros na ocupação do espaço universitário por estudantes indígenas, integrando, em 2015, a primeira turma do curso de Relações Internacionais da instituição.
Durante sua passagem pela universidade, ele se tornou uma voz ativa na luta pela permanência de estudantes indígenas no ensino superior, defendendo políticas de diversidade, inclusão e saúde mental. Também participou do Programa de Educação Tutorial Conexões de Saberes Indígenas (PET Indígena) e do Fórum dos Estudantes Indígenas.
Sua formação acadêmica foi marcada pelo compromisso com a valorização dos saberes tradicionais. Como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), desenvolveu a pesquisa “Iny Deé Reny: O Direito Indígena na Perspectiva da Constituição Federal e das Organizações Internacionais”, estudo voltado ao reconhecimento e fortalecimento dos direitos dos povos indígenas.
Reconhecido como uma das principais lideranças jovens indígenas do Tocantins, Mairu construiu uma trajetória de superação. Antes de alcançar a vida acadêmica, trabalhou em diferentes atividades, inclusive na limpeza de banheiros durante o ensino médio, para custear seus estudos.
Após concluir a graduação, tornou-se mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e seguia ampliando sua formação internacionalmente. Atualmente, realizava doutorado em Paris, na França.
A morte ocorreu em Brasília (DF) e, segundo familiares, foi provocada por um infarto. A notícia gerou manifestações de pesar de instituições e lideranças, que destacaram seu papel na defesa dos povos indígenas e sua contribuição para a construção de uma sociedade mais inclusiva e plural.
Para a UFT e para o movimento indígena, Mairu Karajá deixa um legado que ultrapassa as salas de aula e permanece como inspiração para novas gerações de estudantes e lideranças indígenas.
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