
Os golpes aplicados por meio do WhatsApp continuam se multiplicando e fazendo vítimas em todo o país. Mensagens com promessas de dinheiro, falsas notificações de processos judiciais ou pedidos urgentes feitos por supostos parentes e advogados estão entre as estratégias mais usadas por criminosos para enganar usuários.
Para orientar a população sobre como agir nesses casos, o advogado Thiago Moraes explica que a primeira providência deve ser o contato imediato com a instituição financeira “O Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução, o MED. Ao perceber que foi vítima de um golpe, a pessoa deve procurar imediatamente o banco para que a instituição tente bloquear o dinheiro e, após o procedimento, realizar a devolução à vítima”, afirma.
Além da comunicação ao banco, o registro de um boletim de ocorrência é fundamental para o início da investigação criminal. A partir desse registro, a Polícia Civil passa a apurar o caso, enquanto eventuais responsabilidades civis podem ser analisadas posteriormente na esfera judicial, com apoio jurídico especializado.
Um dos golpes mais recorrentes envolve a falsificação de identidade, especialmente quando criminosos se passam por familiares e solicitam transferências de valores. Segundo o advogado, nesse tipo de situação a vítima não pode ser responsabilizada financeiramente, desde que não haja envolvimento comprovado no crime. “Os golpistas utilizam dados roubados ou informações obtidas de forma fraudulenta para se passarem por outras pessoas. Se não ficar comprovada a participação da vítima, ela não pode ser cobrada novamente”, explica.
A responsabilização, no entanto, varia conforme o caso. Plataformas digitais, instituições financeiras ou o próprio usuário podem ser responsabilizados, dependendo das circunstâncias. Bancos, por exemplo, podem responder judicialmente se deixarem de fiscalizar transações atípicas, enquanto situações de negligência podem transferir a responsabilidade para o usuário. Já a punição dos golpistas costuma ser mais difícil, devido ao anonimato, à velocidade das operações e à atuação muitas vezes fora do país.
O uso indevido do nome e da imagem de profissionais, como advogados, também tem sido explorado em golpes virtuais. Quando há prejuízo à reputação, é possível buscar reparação judicial, especialmente se for comprovada falha de terceiros, como plataformas ou instituições financeiras.
Como forma de prevenção, especialistas recomendam a adoção de medidas básicas de segurança digital, como a verificação em duas etapas no WhatsApp, a restrição da visibilidade de informações pessoais e a desconfiança de qualquer pedido de dinheiro feito por mensagens. A orientação é sempre confirmar a identidade do solicitante por outros meios antes de realizar qualquer transferência.
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