
Um vídeo que circulou amplamente nas redes sociais nesta quinta-feira (22) gerou indignação e debates entre moradores de Palmas. As imagens mostram os pertences de um vendedor ambulante de pães, identificado como Gabriel Chaves, sendo retirados da frente de um supermercado localizado no Jardim Aureny III, pelo próprio proprietário do estabelecimento.
Na gravação, é possível ver o dono do mercado arremessando cadeiras utilizadas pelo ambulante e dizendo frases como “pode tirar aí tudinho”. O episódio rapidamente ganhou repercussão regional, provocando uma série de comentários e críticas nas redes sociais.
Após a viralização do vídeo, Gabriel Chaves se pronunciou publicamente e afirmou que jamais imaginou passar por uma situação como aquela. Em vídeo publicado nas redes, o vendedor relatou o constrangimento vivido e destacou que a renda obtida com a venda dos pães é essencial para sustentar a família.
“Eu tenho uma filha pequena, de apenas 8 meses, e minha esposa também depende de mim. Trabalho o dia inteiro e, no final do dia, faço esse bico para complementar a renda e garantir um sustento melhor para minha família”, declarou.
O casal responsável pela fabricação dos pães, Felipe e Rita, também manifestaram-se, pedindo empatia em relação ao proprietário do supermercado. “Não estou gravando esse vídeo para que deixem de comprar lá. Talvez ele esteja passando por um momento difícil”, comentou Felipe.
Diante da repercussão, o negócio do casal, batizado de Empório Belém (@emporiobelem_), ganhou visibilidade nas redes sociais e publicou uma nota própria sobre o episódio:
“Nem todo começo é fácil.
O Empório Belém nasceu em um momento de dor e humilhação.
Mas também nasceu da fé, do trabalho honesto e da certeza de que Deus transforma quedas em crescimento.
Acreditamos que vamos crescer — com dignidade, verdade e o apoio de quem acredita na gente.”
Nota do supermercado
O estabelecimento também divulgou nota oficial negando qualquer intenção de humilhar o vendedor. Segundo o supermercado, a situação foi “mal interpretada” e teve como objetivo apenas organizar o espaço em frente ao comércio, considerado área de circulação.
Na nota, o mercado afirma atuar “com respeito, ética e compromisso com a comunidade do setor Aureny III” e reforça que não houve agressão ou violência. O empreendimento também declarou reconhecer a importância do trabalho informal e disse acreditar no diálogo como melhor caminho para a convivência.
Posicionamento jurídico
Marcelo Abrantes, advogado e apresentador, informou que assumiu a defesa do vendedor ambulante. Segundo ele, a natureza jurídica da área onde ocorreu o fato, se pública ou privada, será apurada legalmente, mas ressaltou que, independentemente disso, o uso de violência ou constrangimento não é permitido pela legislação brasileira.
“As imagens falam por si. Demonstram o constrangimento e a forma como o trabalhador foi tratado. Isso será analisado sob rigor jurídico”, afirmou o advogado.
Marcelo também destacou que a conduta pode, em tese, configurar crimes como exercício arbitrário das próprias razões, constrangimento ilegal e dano, cuja apuração caberá às autoridades competentes.
“O Estado de Direito existe justamente para impedir que conflitos sejam resolvidos pela força e para garantir que excessos sejam apurados dentro da lei”, finalizou.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.
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