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Março Amarelo alerta para sintomas da endometriose e importância do diagnóstico precoce

Doença ginecológica crônica afeta milhões de mulheres e ainda é frequentemente subdiagnosticada; especialista destaca que dor menstrual intensa não deve ser considerada normal

09/03/2026 às 10h42 Atualizada em 09/03/2026 às 10h43
Por: Vitthor Rodrigues
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O mês de março marca a campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. Apesar de relativamente comum, a condição ainda enfrenta altos índices de subdiagnóstico, muitas vezes porque sintomas importantes são naturalizados ao longo da vida da mulher.

De acordo com a ginecologista e professora da Afya Palmas, Ana Virgínia Gama, a falta de informação e a persistência de mitos relacionados à saúde menstrual ainda são fatores que dificultam o reconhecimento precoce da doença.

“A endometriose é uma condição que pode impactar significativamente a qualidade de vida da mulher, mas muitos sinais acabam sendo ignorados ou interpretados como algo normal. Isso faz com que diversas pacientes convivam com sintomas por anos antes de receberem o diagnóstico correto”, explica.

Entre os principais equívocos que contribuem para o atraso na identificação da doença está a ideia de que sentir dor intensa durante a menstruação faz parte da rotina feminina.

“Cólicas leves podem ocorrer, mas dores fortes, progressivas e que impedem a mulher de realizar suas atividades diárias precisam ser investigadas. Esse tipo de dor não deve ser considerado normal”, destaca a médica.

Outro mito comum é associar a endometriose exclusivamente à infertilidade. Embora a doença possa interferir na capacidade reprodutiva, muitas mulheres convivem com sintomas por longos períodos antes mesmo de pensar em engravidar.

“Muitas pessoas acreditam que a endometriose se manifesta apenas quando a mulher tenta engravidar e encontra dificuldades, mas isso não corresponde à realidade. Na prática, diversas pacientes apresentam sintomas desde a adolescência ou início da vida adulta”, afirma.

Além disso, segundo a ginecologista, ainda persiste a percepção de que a mulher precisa “aprender a conviver com a dor”, o que contribui para que a busca por avaliação médica seja adiada.

Sintomas podem variar

A endometriose ocorre quando tecido semelhante ao endométrio que normalmente reveste o interior do útero cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve.

Os sintomas podem variar de intensidade e manifestação entre as pacientes. Entre os sinais mais comuns estão cólica menstrual intensa e progressiva, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual, alterações intestinais cíclicas e dificuldade para engravidar.

“A intensidade dos sintomas varia bastante. Algumas mulheres apresentam poucos sinais, enquanto outras relatam dor significativa e incapacitante. Essa diferença também pode contribuir para que o diagnóstico seja feito de forma mais tardia”, explica.

Tratamento busca controle da doença

Considerada uma doença crônica, a endometriose ainda não possui cura definitiva. Por isso, o tratamento é direcionado principalmente ao controle dos sintomas, à redução da progressão da doença e à melhora da qualidade de vida da paciente.

“As opções terapêuticas incluem tratamentos hormonais, medicamentos para controle da dor e, em casos específicos, procedimentos cirúrgicos para retirada das lesões. A escolha do tratamento depende de fatores como idade da paciente, intensidade dos sintomas, localização da doença e desejo reprodutivo”, detalha a ginecologista.

Segundo a especialista, cada caso deve ser avaliado de forma individualizada para que a estratégia terapêutica seja adequada às necessidades da paciente.

Automedicação pode atrasar diagnóstico

Outro ponto de atenção é o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar cólicas menstruais, prática comum entre muitas mulheres.

“A automedicação pode mascarar sintomas e contribuir para que o diagnóstico seja feito apenas depois de muitos anos. É comum que algumas pacientes tratem apenas a dor, sem investigar a causa do problema”, alerta.

Por isso, a recomendação é procurar avaliação médica sempre que a dor menstrual for intensa, persistente ou limitar as atividades do dia a dia.

Avaliação clínica é fundamental

O diagnóstico da endometriose começa com uma avaliação clínica detalhada, baseada na história da paciente e no exame físico. Exames de imagem também desempenham papel importante na investigação.

“A ultrassonografia pélvica com preparo intestinal e a ressonância magnética são exames que ajudam a identificar lesões características da doença. Em algumas situações específicas, a confirmação pode ocorrer durante procedimento cirúrgico”, explica.

Para a médica, a principal mensagem da campanha Março Amarelo é reforçar que a dor não deve ser naturalizada.

“É fundamental que as mulheres entendam que sentir dor intensa não é normal. Reconhecer os sinais e procurar orientação médica é essencial para um diagnóstico mais precoce e para melhorar a qualidade de vida”, conclui.

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