
Março, mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, também convida à reflexão sobre um ponto essencial do cuidado feminino: a atenção à própria saúde. Em meio às discussões sobre direitos, bem-estar e qualidade de vida, o período reforça o alerta para a prevenção de doenças que afetam diretamente a população feminina, como o câncer de colo do útero, além do câncer colorretal, ambos alvos de campanhas de conscientização do Ministério da Saúde.
O Março Lilás reacende esse debate ao chamar atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de colo do útero, um dos tipos de câncer mais incidentes entre mulheres no Brasil e ainda um desafio importante de saúde pública, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. No Tocantins, a atenção ao tema é ainda mais necessária. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 190 novos casos da doença no estado em 2026, com taxa bruta de incidência de 24,18 casos por 100 mil mulheres. No cenário nacional, o INCA estimou 17.010 casos novos por ano no triênio 2023–2025, com taxa bruta de 15,38 casos por 100 mil mulheres. Na região Norte, a taxa estimada chega a 20,48 casos por 100 mil mulheres, acima da média nacional.
Sinais de alerta e fatores de risco
De acordo com o ginecologista obstetra e professor da Afya Palmas, Edu Henrique de Azevedo, alguns hábitos não saudáveis estão entre os principais fatores de risco associados ao câncer de colo do útero e ao câncer colorretal. “Os principais fatores de risco associados a cânceres como o colo de útero e o câncer colorretal estão nos hábitos, como alcoolismo, tabagismo, alimentação desbalanceada, consumo excessivo de carne vermelha ou processada, bem como a infecção do vírus HPV, no caso do câncer de colo de útero”, afirma.
Apesar de ambos os tipos poderem ser silenciosos no início, alguns sinais devem servir de alerta. No caso do câncer de colo do útero, sangramento fora do período menstrual, dores ou sangramento durante ou após a relação sexual, dor ao urinar, dor nas costas ou nas pernas e perda de peso sem motivo podem indicar a necessidade de avaliação especializada. Já o câncer colorretal pode apresentar sintomas como mudança na frequência de evacuação, diarreia ou prisão de ventre, dor abdominal, anemia, perda de peso ou presença de sangue nas fezes.
Medo do preventivo ainda afasta mulheres do cuidado
Segundo. Edu, um dos obstáculos ainda presentes é o medo que muitas mulheres sentem em relação ao exame preventivo. “A maioria das pacientes acha que esse exame é doloroso, ou que pode causar alguma lesão, algum sangramento, alguma coisa nesse sentido durante o exame. Isso não é verdade”, afirma. O médico explica que o preventivo pode provocar algum desconforto, mas não deve ser encarado como um procedimento traumático. “O preventivo, teoricamente, é para ser um exame sem dor. Pode sim ter um desconforto, mas é um exame totalmente tranquilo de ser feito”, ressalta.
O professor também destaca que o câncer de colo do útero costuma evoluir de forma silenciosa. “O câncer de colo do útero, no início, geralmente é assintomático”, afirma. Em muitos casos, acrescenta, a doença só é detectada porque a paciente realiza o preventivo. Quando o quadro já está mais avançado, podem surgir sinais como dor durante a relação sexual e sangramento após a relação.
Vacina, preventivo e hábitos saudáveis se complementam
Segundo o professor, a principal forma de prevenção contra o câncer de colo do útero é a vacina contra o HPV, disponível em dose única para meninos e meninas entre 9 e 14 anos. A vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Enquanto os tipos 6 e 11 estão relacionados principalmente às verrugas genitais, os tipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
Ainda assim, o médico reforça que a vacinação não substitui o exame preventivo. “A vacina não substitui o Papanicolau. A vacina é um complemento”, afirma. “Mesmo tomando a vacina, a paciente deve continuar os controles com a coleta do preventivo. Então, eles são complementares”, reforça. A prevenção também envolve o uso de preservativo, já que a transmissão do HPV ocorre por via sexual, além da adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física, manutenção do peso adequado e redução do consumo de álcool e tabaco.
A discussão sobre o HPV também não pode ficar restrita às mulheres. Os homens têm papel importante na prevenção, porque também podem transmitir o vírus nas relações sexuais. “O papel do homem é muito importante porque ele também pode passar esse vírus através da relação sexual”, diz o médico. “Tanto o homem quanto a mulher, o ideal é que eles sejam vacinados”, afirma.
Exame preventivo é fundamental
No SUS, o exame preventivo é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual. Inicialmente, ele deve ser feito uma vez por ano e, após dois exames normais consecutivos, passa a ser indicado a cada três anos. Já para o câncer colorretal, a recomendação de exames periódicos para detecção preventiva é entre 45 e 75 anos.
“Mais do que marcar uma campanha no calendário, março reforça que falar de prevenção é falar de acesso à informação, vacinação, rastreamento, hábitos saudáveis e cuidado contínuo com a saúde. Quando identificados precocemente, esses cânceres têm mais chances de tratamento e melhor evolução clínica”, finaliza.
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