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Federação que errou em ingressos também impediu atuação de profissionais do audiovisual em semifinal do Tocantinense

Ação de delegado da FTF contraria normas da própria entidade e dispositivos do estatuto da ACETO, levantando questionamentos sobre critérios e condução da partida

24/03/2026 às 14h50
Por: Vitthor Rodrigues
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Na tarde do último sábado, 21 de março, mais um episódio envolvendo a atuação da Federação Tocantinense de Futebol (FTF) gerou questionamentos, desta vez, durante a semifinal do Campeonato Tocantinense – Taça José Bonifácio, disputada entre Tocantinópolis EC e Capital FC, em Tocantinópolis/TO. 

Logo nos minutos iniciais da partida, dois profissionais do setor audiovisual (videomakers Mobile) que integravam a equipe do Capital FC foram impedidos de realizar a captação de imagens em vídeo para fins internos do clube. Segundo apurado, o material não seria utilizado para transmissão ao vivo nem contava com narração esportiva de jornalista ou radialista. 

De acordo com relatos enviados à reportagem, os profissionais estavam posicionados inicialmente dentro da área técnica da equipe, quando foram abordados pelo delegado da partida, identificado como Wilson Pereira Costa, que orientou a saída do local. A determinação foi prontamente atendida.

Mesmo após se reposicionarem fora da área técnica, os profissionais voltaram a ser abordados sob a alegação de que ainda estariam próximos demais da zona restrita. Novamente, atenderam à solicitação e se afastaram. Ainda assim, uma terceira abordagem foi realizada pelo representante da FTF, desta vez sob o argumento de que os profissionais não constavam na relação de membros autorizados pela Associação dos Cronistas Esportivos do Tocantins (Aceto), culminando na ordem para que deixassem o campo.

A exigência levantou questionamentos. Conforme a própria Aceto, o credenciamento para atuação em campo seja eventual ou contínua está condicionado ao pagamento de taxa estimada em R$ 800. No entanto, o estatuto da entidade delimita claramente que sua atuação se restringe à organização e representação de jornalistas e radialistas vinculados a veículos de comunicação, o que não se aplicaria ao caso, já que os profissionais atuavam diretamente para o clube, em produção interna.

O estatuto da associação também estabelece que seus membros devem exercer comprovadamente a profissão em veículos como jornais, rádios, televisões ou plataformas digitais, o que reforça a distinção entre cobertura jornalística e produção institucional de clubes.

Outro ponto que chama atenção é o caráter seletivo da abordagem. Imagens da própria transmissão da partida indicam a presença de outras pessoas à margem do gramado inclusive nas proximidades da arbitragem e entre as áreas técnicas sem identificação visível, como coletes ou crachás, situação que não foi alvo de intervenção por parte da arbitragem ou da delegação da partida.

A conduta do delegado também parece destoar do que prevê a Circular/FTF/007/2024, documento da própria Federação que orienta que profissionais de imprensa devem permanecer entre a área técnica e a linha de fundo, desde que devidamente identificados exigência que, segundo os relatos, não foi uniformemente fiscalizada durante o jogo.

Após o episódio, os profissionais buscaram contato com a gestão da FTF em busca de esclarecimentos e de uma solução imediata para a situação, mas nenhuma atitude foi tomada para que o impasse tivesse sido resolvido ainda durante a partida.

Sequência de episódios amplia críticas à Federação

O caso ocorre em um momento já delicado para a Federação Tocantinense de Futebol. No mesmo final de semana, a entidade protagonizou outra situação controversa ao cometer erros na confecção dos ingressos da semifinal entre União e Gurupi. Nos bilhetes, o adversário foi identificado incorretamente como Capital, além da divergência no horário da partida.

Não é a primeira vez que a FTF enfrenta críticas recentes. Em 2025, a entidade também foi questionada após um clube perder o título estadual por escalar um atleta irregular, episódio que gerou repercussão entre dirigentes e torcedores.

*Falta de critérios e insegurança operacional*

A sucessão de ocorrências  desde falhas operacionais até decisões questionáveis à beira do campo reforça a percepção de inconsistência nos procedimentos adotados pela Federação. 

No caso específico da semifinal entre Tocantinópolis e Capital, a retirada de profissionais devidamente identificados como integrantes de clube, aliada à tolerância com outras presenças irregulares no gramado, levanta dúvidas sobre a uniformidade e a legalidade das decisões tomadas.

Até o momento, a Federação Tocantinense de Futebol ou o seu representante no jogo não se manifestara oficialmente sobre o ocorrido. O espaço segue aberto.

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