
O cinema tocantinense alcançou um marco histórico com a indicação do documentário “Da aldeia à universidade” ao primeiro turno do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro 2026. É a primeira vez que uma produção do Tocantins disputa a principal premiação do audiovisual brasileiro, promovida pela Academia Brasileira de Cinema.
A obra integra a lista de 56 curtas-metragens selecionados — entre ficção, documentário e animação — que refletem a diversidade da produção nacional. Os filmes estão disponíveis gratuitamente na plataforma Porta Curtas até o dia 22 de maio, período em que os membros da Academia escolhem os finalistas. As produções selecionadas retornam à exibição entre 8 e 22 de junho.
Dirigido por Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, com assistência de direção do indígena Romário Srowasde Xerente, o documentário é produzido pela GBM Filmes. A narrativa aborda, de forma sensível, os desafios enfrentados por estudantes indígenas no acesso e permanência no ensino superior.
Desde sua estreia, o filme vem acumulando reconhecimento no circuito audiovisual, com 37 seleções oficiais e 14 premiações. Entre os destaques, está sua participação no Festival de Cinema de Gramado 2025, um dos mais tradicionais do país.
A produção acompanha as trajetórias de Srowasde Xerente e Kartadi Xerente, revelando os obstáculos enfrentados ao deixarem suas aldeias para ingressar na universidade. A obra evidencia questões como adaptação cultural, desafios sociais e a busca por formação acadêmica sem abrir mão das raízes indígenas.
Com uma abordagem potente e necessária, o documentário amplia o debate sobre inclusão, pertencimento e políticas educacionais, dando visibilidade às vivências indígenas no ambiente universitário.
A indicação ao Prêmio Grande Otelo reforça não apenas a relevância artística e social do filme, mas também projeta o Tocantins no cenário nacional, destacando a força das narrativas originárias e o protagonismo de novas vozes no cinema brasileiro.
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