Polícia Combate à Corrupção

Polícia Civil conclui investigação sobre suposto desvio de emenda para temporada de praia em Guaraí

Apuração da DECOR aponta superfaturamento, empresas de fachada e lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos destinados ao evento de 2016.

18/05/2026 11h15
Por: Sirleyva Braz
 Inquérito é relacionado à Operação ONGs de Papel - Foto: Dennis Tavares - SSP TO
Inquérito é relacionado à Operação ONGs de Papel - Foto: Dennis Tavares - SSP TO

A Polícia Civil do Tocantins concluiu as investigações de um inquérito ligado à Operação Ongs de Papel, que apura supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos destinados à temporada de praia de 2016 no município de Guaraí.

O trabalho investigativo foi conduzido pela Divisão Especializada de Repressão à Corrupção (DECOR) e analisou a execução de um termo de colaboração firmado entre a antiga Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura (SEDEN) e uma organização da sociedade civil responsável pela realização do evento.

Segundo a investigação, o convênio utilizou recursos de uma emenda parlamentar no valor de R$ 400 mil. O relatório final aponta indícios de um esquema estruturado para desviar parte do dinheiro público por meio de contratos simulados, superfaturamento de serviços e ocultação de valores.

As apurações revelaram que empresas de fachada teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade às contratações de estruturas como palco, iluminação e sonorização. Conforme a Polícia Civil, as empresas não possuíam estrutura operacional compatível com os serviços contratados e estavam registradas em nome de pessoas sem capacidade financeira correspondente.

Ainda de acordo com a DECOR, o grupo investigado teria obtido lucro superior a R$ 100 mil com a divisão de valores entre integrantes da entidade responsável pelo convênio, representantes de empresas contratadas e um familiar do parlamentar autor da emenda.

Ao longo das investigações, os policiais identificaram mecanismos utilizados para mascarar o destino dos recursos públicos e simular concorrência entre empresas.

Com base nos elementos reunidos, seis pessoas foram indiciadas pelos crimes de peculato-desvio e lavagem de capitais.

A Polícia Civil informou ainda que as investigações envolvendo o parlamentar responsável pela emenda seguirão separadamente, conforme determinação do Tribunal de Justiça do Tocantins.

O relatório final foi encaminhado ao Poder Judiciário da Comarca de Araguaína e ao Ministério Público Estadual, que deverão analisar as medidas judiciais cabíveis ao caso.

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