
Aquela dor nas pernas que muitas famílias costumam atribuir ao crescimento da criança nem sempre é inofensiva. Quando o desconforto persiste por semanas, interfere nas atividades do dia a dia ou surge acompanhado de outros sintomas, ele pode ser um indicativo de doenças reumatológicas que também afetam crianças e adolescentes.
Essas enfermidades provocam processos inflamatórios que podem comprometer articulações, músculos e até órgãos internos. Se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente, podem causar limitações físicas, alterações no crescimento e sequelas permanentes.
Segundo a professora da Afya Porto, Núbia Cristina, especialista em reumatologia pediátrica, é importante que pais e responsáveis saibam distinguir as chamadas "dores do crescimento" dos sinais que merecem investigação médica.
As dores consideradas fisiológicas costumam aparecer entre os 3 e os 12 anos, geralmente no fim do dia ou durante a noite, atingem as duas pernas e desaparecem sem deixar limitações. No dia seguinte, a criança costuma acordar bem e manter sua rotina normalmente.
Por outro lado, alguns sintomas funcionam como um importante sinal de alerta. Dor persistente por semanas ou meses, inchaço nas articulações, rigidez ao levantar da cama, dificuldade para caminhar, febre sem causa aparente, perda de peso, fadiga excessiva e redução da disposição para brincar ou praticar atividades físicas devem motivar uma avaliação médica.
Entre as doenças reumatológicas mais frequentes na infância estão a Artrite Idiopática Juvenil, considerada a mais comum, além do Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil, Dermatomiosite Juvenil, vasculites, espondiloartrites e síndromes autoinflamatórias. Cada uma apresenta características próprias, mas todas podem comprometer significativamente a qualidade de vida quando não tratadas.
Além da dor, alterações aparentemente discretas também merecem atenção. Mudanças na forma de caminhar, quedas frequentes, fraqueza muscular, olhos avermelhados, manchas na pele, sensibilidade ao sol e dificuldade para realizar tarefas simples podem representar os primeiros sinais da doença.
De acordo com a especialista, o diagnóstico precoce faz toda a diferença no prognóstico. O tratamento iniciado nas fases iniciais ajuda a controlar a inflamação, reduz o risco de deformidades nas articulações, preserva o crescimento da criança e diminui a possibilidade de comprometimento de órgãos como rins, olhos e pele.
A recomendação é procurar atendimento sempre que os sintomas forem persistentes ou acompanhados de sinais que fogem do padrão esperado. O reumatologista pediátrico é o profissional indicado para investigar essas doenças, diferenciar quadros benignos de condições inflamatórias e iniciar o tratamento adequado o quanto antes, aumentando as chances de uma infância saudável e sem sequelas.
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