
Com 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atenção às necessidades específicas desse público também precisa estar presente no ambiente hospitalar. Em procedimentos cirúrgicos, o planejamento anestésico deve considerar as características individuais de cada paciente para aumentar a segurança e oferecer um atendimento adequado.
Pessoas com deficiência física, intelectual, auditiva, visual ou múltipla podem apresentar necessidades diferentes. A deficiência, isoladamente, não determina um risco anestésico maior. O que pode exigir cuidados adicionais são condições associadas, como alterações neuromusculares e respiratórias, limitações de mobilidade e dificuldades de comunicação.
Antes da cirurgia, o anestesiologista realiza uma avaliação para conhecer o histórico clínico do paciente. São considerados fatores como doenças preexistentes, alergias, medicamentos utilizados, experiências anteriores com anestesia e outras informações que possam interferir na condução do procedimento.
Para o médico anestesiologista e presidente da Coopanest Tocantins, Tássio Pontes, o atendimento precisa levar em conta a realidade de cada pessoa.
“Quando recebemos um paciente, precisamos compreender não apenas seu diagnóstico, mas como aquela condição se apresenta e quais necessidades ela traz para o cuidado. Duas pessoas com a mesma deficiência podem ter condições clínicas e formas de comunicação muito diferentes. A avaliação prévia nos permite reconhecer essas particularidades e planejar a anestesia com segurança”, explica.
Durante a cirurgia, algumas situações podem demandar adaptações específicas. Em pacientes com mobilidade reduzida, por exemplo, o posicionamento na mesa cirúrgica precisa ser planejado para evitar pressão excessiva sobre determinadas partes do corpo.
Já pacientes com deficiência intelectual, auditiva ou visual podem precisar de estratégias diferentes de comunicação. Explicações mais adequadas às suas necessidades podem facilitar a compreensão das orientações, a manifestação de dor ou desconforto e o controle da ansiedade antes do procedimento.
Quando necessário, familiares ou cuidadores também podem contribuir com informações importantes sobre a rotina, o comportamento e a forma como o paciente costuma se comunicar.
Outro cuidado importante está relacionado aos medicamentos de uso contínuo. Informar à equipe médica todos os remédios utilizados é fundamental para que o anestesiologista avalie possíveis interferências no procedimento.
“É importante que o paciente ou responsável informe todos os medicamentos, principalmente os de uso contínuo. Dependendo do quadro clínico e do remédio, essa informação pode interferir no planejamento anestésico. A orientação sobre manter ou suspender uma medicação deve sempre partir da equipe médica”, orienta Tássio Pontes.
No centro cirúrgico, o paciente permanece sob acompanhamento contínuo. A equipe monitora parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação e respiração, associando os protocolos de segurança às necessidades identificadas durante a avaliação pré-anestésica.
Os cuidados não terminam com o fim da cirurgia. Na recuperação anestésica, o estado clínico e as características individuais continuam sendo considerados para garantir que o paciente seja acompanhado de maneira adequada.
A principal orientação é que a anestesia seja planejada de acordo com a pessoa, e não apenas com o diagnóstico. Com avaliação prévia, comunicação adequada e acompanhamento contínuo, é possível adaptar o cuidado às necessidades de cada paciente ao longo de todo o processo cirúrgico.
Mín. 27° Máx. 41°