
O avanço dos problemas relacionados à saúde mental está mudando a forma como empresas enxergam os benefícios oferecidos aos funcionários. Em 2025, 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais foram concedidos pela Previdência Social no Brasil. O número representa um aumento de 15,66% em relação ao ano anterior.
No Tocantins, foram 1.975 concessões no mesmo período. Os números colocam a saúde mental no centro das discussões sobre qualidade de vida, ambiente profissional e políticas de cuidado com os trabalhadores.
Com a chegada do Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre prevenção do suicídio e à valorização das redes de apoio, o debate ganha ainda mais espaço. Para as empresas, a discussão também passa pela necessidade de oferecer condições que contribuam para o bem-estar dos colaboradores e de suas famílias.
A tradicional oferta de plano de saúde, vale-alimentação e outros benefícios começa a dar espaço para pacotes mais amplos, que incluem serviços voltados à saúde, lazer, economia e assistência familiar.
Levantamento realizado pela Aon em 2025, com 1.077 empresas que atuam no Brasil, mostrou que 84% das companhias já adotam iniciativas relacionadas ao bem-estar. A família também aparece entre os aspectos considerados pelas empresas na construção de suas propostas de valor para os funcionários.
A mudança acompanha uma percepção de que as necessidades do trabalhador não terminam no ambiente profissional. Serviços que também podem ser utilizados por dependentes e familiares passam a fazer parte das estratégias de benefícios.
Em Palmas, esse movimento chega inclusive a segmentos tradicionalmente ligados à assistência funerária. A Pax Palmas passou a oferecer, em planos corporativos, serviços que podem ser utilizados durante a vida, como telemedicina, descontos em consultas, medicamentos e cinema, além da assistência à família em situações de falecimento.
Para William Mendes, gestor da Pax Palmas, a ideia é ampliar o conceito de proteção oferecido pelas empresas.
Segundo ele, benefícios que podem ser utilizados no cotidiano tornam o cuidado mais próximo da realidade do trabalhador e também alcançam seus familiares.
A preocupação com o bem-estar dos funcionários também ganhou espaço na legislação trabalhista. A nova redação da NR-1 passou a destacar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais.
Na prática, as empresas precisam identificar, avaliar e adotar medidas de prevenção relacionadas a esses fatores. Entre os aspectos que podem ser considerados estão situações do ambiente de trabalho capazes de contribuir para o adoecimento psicológico.
Os benefícios corporativos, entretanto, não substituem as obrigações previstas na norma. Eles fazem parte de uma estratégia mais ampla de cuidado e prevenção.
Diante desse cenário, os benefícios deixaram de ser vistos apenas como uma forma de complementar a remuneração. Saúde, bem-estar e proteção familiar passaram a pesar também na percepção que o trabalhador tem sobre a empresa.
A tendência é que organizações ampliem a oferta de serviços capazes de atender diferentes necessidades dos funcionários, especialmente em um momento de crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental.
Mais do que atrair profissionais, a estratégia busca criar condições para reter talentos, melhorar a qualidade de vida e fortalecer o vínculo entre trabalhador e empresa.
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