
O fim do surto de sarampo registrado em Campos Lindos, no norte do Tocantins, não significa que o Estado esteja livre do risco de novos casos. Apesar de a cadeia de transmissão ter sido interrompida em dezembro de 2025 e não haver novas confirmações no Tocantins até a semana epidemiológica 35 de 2026, especialistas reforçam a necessidade de manter a vacinação em dia.
O alerta ganha força diante da circulação do vírus em outras regiões do país e no exterior. Em 2025, o Tocantins concentrou 25 dos 38 casos de sarampo confirmados no Brasil, o equivalente a 65,8% do total nacional.
A cadeia de transmissão teve início após a chegada de quatro pessoas infectadas na Bolívia. Outros 21 casos registrados no Estado foram relacionados à importação. A investigação também revelou um cenário de vulnerabilidade: 22 dos 25 pacientes pertenciam a uma comunidade com baixa adesão à vacinação e não possuíam registro de imunização contra o sarampo. Duas pessoas precisaram ser hospitalizadas.
Em 2026, até a semana epidemiológica 35, o Brasil já contabilizava 29 casos, sendo 28 em São Paulo e um no Rio de Janeiro. O Tocantins não registrava novas confirmações no período.
Para o infectologista e professor da Afya Porto Nacional, Jandrei Markus, o encerramento do surto representa o controle daquela cadeia específica, mas não elimina a possibilidade de o vírus voltar a circular.
“O vírus pode ser novamente introduzido por uma pessoa infectada em outra região. Se houver grupos com baixa cobertura vacinal, ele encontra condições para se espalhar.”
A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação. A recomendação é alcançar pelo menos 95% de cobertura com as duas doses indicadas contra o sarampo.
Dados preliminares do Ministério da Saúde apontaram que, em 2025, a cobertura nacional chegou a 92,66% na primeira dose da tríplice viral, mas caiu para 78,02% na segunda.
Em Palmas, os índices eram ainda menores antes da intensificação das ações realizadas durante o surto. Em julho de 2025, a cobertura informada era de 72,90% para a primeira dose e de apenas 45,44% para a segunda.
A mobilização ampliou a vacinação no Estado. Mais de 29 mil doses foram aplicadas no Tocantins, sendo 16.405 somente em Palmas entre 28 de julho e 7 de agosto.
O professor e coordenador do curso de Biomedicina da Afya, Luís Fernando Castagnino Sesti, alerta que os números gerais podem esconder regiões com cobertura muito abaixo do necessário.
“É preciso observar município por município e acompanhar não apenas a primeira dose, mas a conclusão do esquema.”
Quem não sabe se recebeu as doses necessárias deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para conferir o histórico de vacinação e receber orientação conforme a idade. Para quem vai viajar para áreas onde há circulação do vírus, a recomendação é atualizar a imunização com pelo menos 15 dias de antecedência.
O sarampo costuma começar com sintomas que podem ser confundidos com outras infecções, como febre, tosse, coriza e conjuntivite. Depois, surgem as características manchas avermelhadas pelo corpo.
A suspeita aumenta quando os sintomas respiratórios são seguidos pelo aparecimento das manchas. Nessa situação, a orientação é procurar atendimento médico e informar os profissionais de saúde logo na chegada, além de utilizar máscara para reduzir o risco de transmissão.
O vírus é altamente transmissível e pode se espalhar pelo ar por meio de tosse, espirro, fala e respiração de uma pessoa infectada. Ele também pode permanecer suspenso no ambiente por até duas horas.
Entre as complicações estão pneumonia, infecções de ouvido e problemas neurológicos graves. Crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com imunidade comprometida estão entre os grupos que podem desenvolver quadros mais graves.
Em ambientes escolares, crianças com sintomas respiratórios associados a manchas devem ser afastadas dos demais alunos e encaminhadas para avaliação. A suspeita também deve ser comunicada ao serviço de saúde para que os contatos sejam investigados e sejam adotadas, se necessário, medidas de bloqueio vacinal.
A confirmação do sarampo pode ser feita por exames laboratoriais, como a sorologia, que identifica anticorpos no sangue, e o RT-PCR, capaz de detectar o material genético do vírus em secreções respiratórias e na urina.
O período em que a amostra é coletada influencia o resultado. Por isso, os especialistas destacam que o exame precisa ser analisado junto com os sintomas, o histórico de vacinação e as informações epidemiológicas.
Além de confirmar a doença, os exames são importantes para descobrir se diferentes pacientes fazem parte da mesma cadeia de transmissão e ajudar as autoridades de saúde a interromper a circulação do vírus.
No Tocantins, a atenção também precisa estar voltada à coleta, conservação e transporte das amostras. Identificação correta, temperatura adequada e envio rápido ao laboratório são etapas fundamentais para garantir a qualidade do diagnóstico.
Mesmo com o surto encerrado, a orientação dos especialistas é manter a vacinação atualizada e procurar atendimento diante de sinais suspeitos. A prevenção, segundo eles, continua sendo a principal barreira para impedir que o sarampo volte a avançar no Estado.
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