
Nascido no interior do Tocantins, artista começou na música ainda criança, tornou-se cantor, compositor e produtor e deixou uma trajetória de mais de quatro décadas no sertanejo
Antes dos grandes palcos, das rádios e dos milhões de discos vendidos, Geraldo Antônio de Carvalho era apenas um menino de Monte do Carmo, no interior do Tocantins, criado entre a simplicidade da zona rural e as tradições musicais da família. Foi nesse cenário que nasceu a trajetória de Rick, um dos nomes que ajudaram a marcar o sertanejo brasileiro.
O cantor morreu aos 59 anos, após o helicóptero em que estava cair na Serra de Santa Catarina. A aeronave havia desaparecido na tarde de segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim. Os destroços foram encontrados nesta terça-feira (22), e o Corpo de Bombeiros confirmou a morte dos cinco ocupantes. As circunstâncias do acidente ainda são investigadas.
Nascido em Monte do Carmo, Rick teve as primeiras experiências com a música dentro de casa. O pai, Vitor Antônio, cantava e compunha músicas de Folia de Reis, influência que ajudou a despertar no filho o interesse pela arte.
Ainda criança, Rick começou a cantar. Uma de suas primeiras formações foi ao lado da irmã, Dalva. Depois, passou por outras parcerias até encontrar aquele que se tornaria seu principal parceiro musical: Renner.
A dupla começou a construir sua história na década de 1980, inicialmente se apresentando em bares e casas noturnas. O primeiro trabalho independente veio no início dos anos 1990 e, a partir daí, Rick & Renner ganhou espaço nacional.
O sucesso chegou principalmente nos anos 1990 e 2000, quando Rick & Renner se consolidou entre os grandes nomes do sertanejo romântico. A dupla lançou músicas que se tornaram conhecidas em todo o país, como “Ela é Demais”, “Nos Bares da Cidade”, “Eu Mereço”, “Filha” e “Coisa de Deus”.
Segundo levantamentos publicados após a morte do artista, Rick & Renner chegou a vender milhões de discos ao longo da carreira. A parceria passou por períodos de separação e reencontro, sendo retomada em 2018. Em 2026, os dois estavam novamente na estrada para uma turnê que celebrava quatro décadas de trajetória.
O último show de Rick ocorreu apenas dois dias antes do acidente, em Sorriso, no Mato Grosso, durante a turnê comemorativa.
A importância de Rick para a música sertaneja não se limitava aos palcos. Além de cantor, ele construiu uma carreira reconhecida como compositor e produtor musical, escrevendo músicas que foram gravadas por outros grandes nomes do gênero.
Entre as composições associadas ao artista estão “Página de Amigos”, gravada por Chitãozinho & Xororó; “Conta pra Ela”, de Leandro & Leonardo; “Agenda Rabiscada”, gravada por diferentes artistas; e “Hoje Eu Sei”, de João Paulo & Daniel.
Essa produção ajudou a ampliar a presença de Rick no sertanejo brasileiro: sua voz estava nos palcos, mas suas composições também chegavam ao público por meio de outros intérpretes.
Mesmo depois de alcançar projeção nacional, Rick nunca rompeu os vínculos com o Tocantins. Monte do Carmo permaneceu como parte importante de sua história e de sua identidade, assim como os familiares e as propriedades que mantinha no estado.
A ligação com a terra natal dava à trajetória do artista uma característica particular: ele saiu do interior tocantinense para conquistar o país, mas continuou carregando consigo referências da infância e da família.
Ao longo de mais de 40 anos de carreira, Rick acompanhou diferentes fases da música sertaneja e ajudou a construir uma das duplas mais conhecidas do gênero.
Sua história começou na simplicidade do interior, passou pelos bares e pequenas apresentações e chegou às grandes estruturas de shows, programas de televisão e rádios de todo o país.
Agora, a trajetória chega ao fim de forma trágica, após o acidente em Santa Catarina. Para o Tocantins, fica a história de um artista que saiu de Monte do Carmo, ganhou o Brasil com sua música e nunca deixou para trás as raízes que ajudaram a formar Geraldo Antônio de Carvalho, o Rick.
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