
A segurança digital de instituições públicas do Tocantins voltou a ficar em alerta nesta sexta-feira (6). Um hacker que utiliza o pseudônimo Azael anunciou um ataque cibernético contra a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e ameaçou ampliar as ofensivas contra outros órgãos públicos e grandes empresas que atuam no estado.
Em uma mensagem encaminhada a veículos de comunicação, o autor afirmou que a ação começou às 10h30 e teria atingido o portal institucional e os sistemas internos da universidade. Durante as tentativas de acesso realizadas por veículos de imprensa, o site oficial da UFT apresentou problemas de conexão.
Na comunicação, o homem também fez provocações à Polícia Federal (PF), desafiando as autoridades a identificá-lo antes que novas ofensivas sejam realizadas. Apesar das declarações, ainda não há confirmação independente de que todos os sistemas tenham sido comprometidos, nem informações oficiais sobre eventual vazamento de dados.
UFT já havia adotado medidas de segurança
O episódio ocorre poucas semanas depois de a própria universidade anunciar restrições temporárias ao acesso externo de seus sistemas digitais.
No dia 21 de outubro, a UFT informou que havia limitado o acesso pela internet a plataformas como o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), Moodle e sistema de periódicos científicos. A medida foi adotada após um alerta internacional sobre vulnerabilidades críticas na linguagem de programação PHP, utilizada em aplicações da instituição.
Na ocasião, a universidade esclareceu que a decisão era preventiva e que não havia confirmação de invasão ou vazamento de informações. O acesso interno aos sistemas e a utilização por meio da VPN institucional foram mantidos.
TJTO ficou nove dias com sistema indisponível
A ameaça contra a UFT também chama atenção pelo recente episódio envolvendo o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).
Em 20 de outubro, o tribunal identificou atividades atípicas em sua infraestrutura tecnológica e suspendeu o acesso externo aos serviços digitais como medida de segurança. A ocorrência afetou o sistema de processos eletrônicos eproc, provocando a interrupção dos serviços e a suspensão dos prazos processuais.
A plataforma voltou a funcionar em 29 de outubro, depois de nove dias de paralisação. Para recuperar o acesso, advogados, servidores e demais usuários precisaram atualizar suas senhas e habilitar a autenticação em dois fatores.
Segundo a presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, as verificações técnicas realizadas pela equipe do tribunal não identificaram comprometimento de dados pessoais ou processuais.
Embora Azael tenha reivindicado participação no episódio, não há confirmação pública independente de que ele tenha sido o responsável pelo incidente.
Pseudônimo já apareceu em investigações e ameaças
O nome Azael também esteve relacionado a investigações sobre crimes cibernéticos no Brasil. Em junho de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Timeout, destinada a investigar um grupo suspeito de realizar ataques de negação de serviço (DDoS) contra páginas de instituições públicas e privadas.
Na operação, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Distrito Federal. Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, os investigados utilizavam pseudônimos em fóruns clandestinos e recorriam a estruturas internacionais e redes privadas para dificultar a identificação.
Entretanto, a investigação oficial divulgada pela PF não confirma publicamente que Azael seja um dos investigados ou que tenha sido preso na operação.
TSE também esteve em alerta durante as eleições
O pseudônimo voltou a ganhar repercussão nacional durante o período eleitoral de outubro de 2026. Segundo reportagem da revista Veja, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou aproximadamente 40 mil tentativas de ataques cibernéticos durante a votação.
A publicação apontou que Azael havia feito ameaças aos sistemas da Justiça Eleitoral antes do pleito, o que aumentou a preocupação das equipes responsáveis pela segurança digital.
Polícia Federal e universidade são procuradas
A nova ameaça amplia a preocupação sobre a proteção dos sistemas públicos no Tocantins, principalmente diante dos recentes problemas enfrentados pelo Judiciário e das restrições preventivas adotadas pela universidade.
A Universidade Federal do Tocantins e a Polícia Federal foram acionadas para esclarecer a situação e informar se houve comprometimento dos sistemas ou necessidade de novas medidas de segurança.
Até o momento, não há confirmação independente da autoria do ataque anunciado nem de eventual exposição de dados da comunidade acadêmica.
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