
O Tocantins está na disputa para receber uma instituição de ensino internacional que poderá colocar a Amazônia no centro de um projeto educacional de alcance mundial. Nesta terça-feira (3), representantes da United World Colleges (UWC) estiveram no estado para avaliar as condições oferecidas à implantação do UWC Amazônia Brasil, que poderá ser o primeiro colégio da rede na América do Sul.
Durante a agenda, a comitiva conheceu a proposta apresentada pelo Governo do Tocantins e também visitou a rede municipal de ensino de Palmas, incluindo a Escola de Tempo Integral (ETI) Almirante Tamandaré. A unidade foi apresentada como parte da estrutura educacional disponível na Capital, um dos aspectos considerados na avaliação para escolha da sede.
O Tocantins concorre com Amapá e Rondônia. A área indicada para receber o empreendimento fica em Luzimangues, distrito de Porto Nacional, próximo a Palmas. Se confirmado, o projeto representará a chegada da 19ª unidade da rede internacional.
Na reunião realizada no Palácio Araguaia, o governador Wanderlei Barbosa apresentou as condições do estado nas áreas de educação, saúde, segurança pública, infraestrutura e logística. Segundo ele, o Tocantins está preparado para receber a instituição e colocou diferentes setores da administração estadual à disposição da iniciativa.
Fundado em 1962, no País de Gales, o movimento United World Colleges reúne 18 colégios em diferentes países e tem como proposta aproximar jovens de nacionalidades, culturas e realidades socioeconômicas distintas.
O modelo educacional combina formação acadêmica internacional, intercâmbio cultural e atividades de serviço comunitário. A proposta também prevê bolsas de estudo, com o objetivo de ampliar o acesso de estudantes de diferentes condições financeiras.
A representante da UWC Brasil, Inês Kavamura, destacou que a diversidade é um dos pilares do movimento. A intenção é proporcionar aos estudantes uma experiência de convivência e aprendizado que ultrapasse as diferenças culturais e sociais.
No Brasil, o projeto pretende integrar o ensino internacional às características da Amazônia, valorizando os conhecimentos dos povos originários, a biodiversidade e os debates sobre mudanças climáticas.
A proposta prevê a construção de um câmpus residencial com capacidade para receber 215 estudantes, distribuídos em duas turmas do programa de Bacharelado Internacional e uma etapa preparatória.
O investimento global estimado é de US$ 240 milhões, considerando a implantação e a manutenção da instituição a longo prazo.
Além da estrutura física, a iniciativa busca desenvolver atividades relacionadas às características ambientais e sociais da região amazônica, aproximando os estudantes de projetos de pesquisa, preservação ambiental e participação comunitária.
A avaliação da candidatura tocantinense inclui visitas a estruturas públicas, unidades de ensino, serviços de saúde, estabelecimentos comerciais e à área indicada para a construção do colégio.
A programação da comitiva também contempla a análise da capacidade de atendimento nas áreas de segurança, saúde, transporte, educação e desenvolvimento urbano.
A escolha do estado que receberá a instituição está prevista para a segunda quinzena de novembro, em articulação com a UWC International.
Caso seja selecionado, o Tocantins poderá sediar uma instituição de alcance global, com potencial para atrair estudantes de diferentes países, ampliar o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer a educação internacional na região amazônica.
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