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Startup tocantinense leva tecnologia para aprendizagem de matemática a premiação internacional

Kaelo entra na shortlist do QS Reimagine Education Awards 2026, em Londres, com solução que usa inteligência artificial para identificar lacunas de aprendizagem.

23/09/2026 às 16h47
Por: Sirleyva Braz
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Uma tecnologia criada no Tocantins para ajudar estudantes a superar dificuldades acumuladas em matemática ganhou espaço em uma das principais premiações internacionais de inovação educacional. A Kaelo, startup idealizada pelo professor Leidison Lima dos Santos, foi selecionada entre os projetos de destaque do QS Reimagine Education Awards 2026, na categoria Learning Design Excellence.

A seleção coloca uma iniciativa desenvolvida no Estado no radar de um evento que reúne universidades, pesquisadores, educadores, empresas de tecnologia e organizações voltadas à transformação da educação. A cerimônia da edição deste ano está prevista para ocorrer em Londres, no Reino Unido, entre os dias 6 e 8 de dezembro.

Tecnologia para descobrir onde está a dificuldade

A proposta da Kaelo surgiu de uma situação comum nas salas de aula: estudantes que avançam de série sem consolidar conhecimentos fundamentais e, posteriormente, enfrentam dificuldades em conteúdos mais complexos.

Em vez de apenas aumentar a quantidade de exercícios, a plataforma busca identificar em que ponto do percurso de aprendizagem surgiu a dificuldade. A partir das respostas dos estudantes, o sistema procura localizar habilidades e conhecimentos que precisam ser retomados e, com essas informações, orientar atividades personalizadas.

A metodologia combina inteligência artificial, tecnologia e conhecimentos pedagógicos. A ferramenta utiliza um mapa de habilidades matemáticas alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para relacionar conteúdos e pré-requisitos.

Segundo informações da empresa, a arquitetura pedagógica reúne mais de 400 habilidades e micro-habilidades matemáticas, conectadas por relações de pré-requisito.

Para o idealizador da startup, a inspiração veio da própria experiência em sala de aula.

“A Kaelo nasceu da sala de aula. Como professor, eu percebia que muitas vezes o estudante não tinha dificuldade exatamente no conteúdo que estava sendo trabalhado naquele momento. O problema podia ter começado dois, três ou até mais anos antes”, afirma Leidison Lima dos Santos.

Professor continua no centro do processo

Apesar do uso de inteligência artificial, a proposta não é substituir o professor. A tecnologia é utilizada para organizar informações, identificar padrões de aprendizagem e auxiliar no planejamento das atividades.

A ideia é que o sistema faça nos bastidores um trabalho de análise que seria difícil de executar manualmente para dezenas de estudantes, enquanto o processo pedagógico continua dependendo da atuação do professor.

“Não queremos substituir o professor por inteligência artificial. Queremos devolver ao professor uma informação que seria praticamente impossível produzir manualmente para 30 ou 40 estudantes ao mesmo tempo”, explica Leidison.

A empresa define essa abordagem como “alta tecnologia no bastidor e aprendizagem humana na ponta”. Dessa forma, o estudante pode continuar utilizando recursos tradicionais, como papel e lápis, enquanto a tecnologia auxilia no diagnóstico e no acompanhamento da evolução.

Projeto ainda está em desenvolvimento

A Kaelo está em fase de desenvolvimento e validação e prevê aplicações voltadas a famílias, escolas e redes públicas de ensino.

A proposta parte da ideia de que uma nota baixa consegue mostrar que existe uma dificuldade, mas não necessariamente aponta sua origem. Um estudante que apresenta problemas em frações, por exemplo, pode ter dificuldades anteriores relacionadas à divisão ou a outros conceitos fundamentais.

A tecnologia busca justamente reconstruir esse percurso para identificar quais conhecimentos precisam ser fortalecidos antes que o aluno avance para novos conteúdos.

Reconhecimento em Londres

A seleção para o QS Reimagine Education Awards 2026 ocorreu na categoria Learning Design Excellence, voltada a iniciativas que apresentam inovação na forma de organizar currículos, pedagogias e experiências de aprendizagem.

Os projetos selecionados passam por etapas internacionais de avaliação. Os vencedores serão anunciados durante a programação do evento em Londres.

Para Leidison, o reconhecimento também representa a possibilidade de levar uma solução criada a partir da realidade brasileira para uma discussão internacional sobre os caminhos da educação.

“Esse reconhecimento mostra que uma solução que nasce no Tocantins, a partir da experiência concreta da escola pública brasileira, pode dialogar com algumas das discussões mais importantes do mundo sobre o futuro da educação”, afirma.

A participação da Kaelo na premiação internacional ocorre enquanto a startup ainda avança em sua fase de desenvolvimento, com a proposta de ampliar o uso da tecnologia e contribuir para que estudantes possam recuperar conhecimentos fundamentais sem serem definidos pelas dificuldades acumuladas ao longo da trajetória escolar.

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