
Após dois dias de paralisação, os motoristas do transporte coletivo de Palmas decidiram suspender temporariamente a greve até o dia 11 de novembro. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4), durante uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10). O prazo será utilizado para tentar chegar a um acordo entre os trabalhadores e a concessionária Santa Cecília Turismo (Sancetur).
Entre as principais reivindicações da categoria está a aplicação do piso salarial estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho de 2026. Os profissionais também cobram melhorias nos espaços de descanso, instalação de banheiros e bebedouros nos pontos finais e estações, revisão de descontos nos salários e no vale-alimentação, além do cumprimento dos intervalos previstos em lei.
A audiência foi conduzida pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) e durou aproximadamente seis horas. Participaram representantes do sindicato, da empresa e da Prefeitura de Palmas. A proposta de suspensão temporária do movimento foi apresentada pelo juiz responsável pela mediação.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do Tocantins (Sintromet), José Antônio de Carvalho, esclareceu que a decisão não representa o encerramento da greve. O objetivo é dar continuidade às negociações e buscar uma proposta que atenda às reivindicações dos trabalhadores.
Caso haja entendimento entre as partes, os termos do possível acordo serão apresentados em assembleia para avaliação e votação da categoria.
Negociação se arrasta desde junho
Segundo o sindicato, as reivindicações estão em discussão com a concessionária desde junho, mas não houve apresentação de uma contraproposta nas rodadas de negociação mediadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
A greve começou às 4h de terça-feira (3), após aprovação em assembleia realizada em 23 de outubro. A paralisação afetou o transporte público da capital, que atende aproximadamente 60 mil passageiros diariamente.
Justiça determinou circulação mínima de ônibus
Antes do início do movimento, a Prefeitura de Palmas conseguiu uma decisão liminar no TRT-10 determinando que pelo menos 80% da frota circulasse nos horários de pico, das 5h30 às 8h30 e das 17h às 20h. Nos demais períodos, a exigência era de 70% dos veículos em operação. O descumprimento poderia resultar em multa diária de R$ 30 mil.
Na terça-feira (3), a administração municipal afirmou que o sindicato não estava cumprindo os percentuais determinados pela Justiça.
A Prefeitura argumenta que as reivindicações trabalhistas envolvem diretamente a relação entre os funcionários e a empresa concessionária, mas informou que acompanha as tratativas para evitar novos prejuízos aos passageiros.
O município participou da audiência desta quarta-feira, representado pelo secretário de Mobilidade e Transporte Público, Walace Pimentel, e pelo procurador-geral, Renato de Oliveira.
Nova audiência está prevista
Em nota, a Prefeitura informou que as propostas apresentadas serão analisadas durante o período de suspensão da greve. Uma nova audiência de conciliação está prevista para 11 de novembro, quando as partes deverão avaliar os avanços nas negociações.
A reportagem procurou a Santa Cecília Turismo (Sancetur), responsável pelo transporte coletivo de Palmas, para se manifestar sobre as reivindicações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
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