
Quando o assunto é colesterol alto, muita gente pensa que esse é um problema exclusivo de adultos. A realidade, porém, é diferente: crianças e adolescentes também podem apresentar alterações nos níveis de colesterol, muitas vezes sem qualquer sintoma aparente. Por isso, os cuidados com a saúde cardiovascular precisam começar ainda nos primeiros anos de vida.
O colesterol é necessário para o funcionamento do organismo, mas quando permanece elevado pode aumentar, ao longo do tempo, o risco de problemas cardiovasculares. Na infância, alterações podem estar relacionadas a hábitos alimentares inadequados, pouca atividade física, excesso de peso e também à predisposição genética.
Segundo a médica pediatra e professora da Afya Porto Nacional, Dra. Marian Mascarenhas de Paula, a prevenção passa pela formação de hábitos saudáveis dentro de casa. Uma alimentação equilibrada, com menor presença de alimentos ultraprocessados, aliada à prática regular de atividades físicas, contribui para reduzir fatores de risco.
A especialista destaca ainda que o histórico familiar não deve ser ignorado. Algumas crianças podem apresentar predisposição genética para colesterol elevado mesmo sem estar acima do peso. Por isso, informações sobre casos de colesterol alto e doenças cardiovasculares entre pais e parentes próximos devem ser relatadas ao pediatra.
Um dos principais desafios é que o colesterol alto geralmente não provoca sintomas. Dessa forma, o acompanhamento pediátrico se torna importante para avaliar o crescimento e o desenvolvimento da criança, identificar possíveis fatores de risco e determinar, quando necessário, a realização de exames.
A rotina também tem papel fundamental na prevenção. Brincadeiras ao ar livre, bicicleta, caminhadas, dança e esportes são algumas das opções para estimular o movimento e diminuir o tempo que crianças e adolescentes permanecem parados.
Nesse processo, a participação dos pais e responsáveis é essencial. Mais do que cobrar mudanças dos filhos, a família pode adotar hábitos mais saudáveis em conjunto, tornando a alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas parte do cotidiano.
Quando a alteração já foi identificada, o tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por um profissional de saúde. A orientação é evitar mudanças radicais na alimentação ou a retirada de determinados alimentos por conta própria.
A avaliação médica considera os níveis de colesterol, os hábitos de vida, os fatores de risco e o histórico familiar para definir a conduta adequada. Em muitos casos, as primeiras medidas envolvem mudanças no estilo de vida, com acompanhamento da resposta ao longo do tempo.
A presença de colesterol elevado na infância não significa que a criança necessariamente desenvolverá uma doença cardiovascular, mas é um sinal que merece atenção. Quanto mais cedo os fatores de risco forem identificados, maior a oportunidade de orientar a família e acompanhar a saúde durante o crescimento.
A prevenção não precisa ser baseada apenas em restrições. Pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença: oferecer uma alimentação mais equilibrada, estimular atividades físicas, reduzir o tempo excessivo diante das telas e manter as consultas pediátricas em dia.
O cuidado com o coração começa muito antes da vida adulta — e os hábitos construídos durante a infância podem acompanhar a pessoa por muitos anos.
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