
Os primeiros dias de amamentação são marcados por descobertas e adaptações para mãe e bebê, mas também podem trazer desconfortos que, quando persistentes, precisam de atenção. Durante o Agosto Dourado, campanha que incentiva e apoia a amamentação, especialistas reforçam a importância de buscar orientação diante de dificuldades.
Entre o segundo e o quinto dia após o nascimento, é comum ocorrer a chamada descida do leite, quando as mamas podem ficar mais cheias, quentes e endurecidas. Também pode haver sensibilidade nos mamilos no início da sucção, especialmente nos primeiros segundos da mamada.
O problema é quando a dor se torna intensa ou não melhora. Fissuras nos mamilos, dor persistente e a sensação de que o leite é insuficiente estão entre fatores que podem contribuir para o desmame precoce involuntário.
Segundo Marian Mascarenhas, supervisora do Internato de Pediatria e professora assistente da Afya Porto Nacional, é importante diferenciar os desconfortos comuns do início da amamentação de sinais que mostram que o bebê pode não estar mamando adequadamente.
Alguns sinais merecem avaliação profissional, como perda de peso, falta de recuperação do peso até os 14 dias de vida, poucas fraldas molhadas, fezes escassas e icterícia.
A pega também precisa ser observada. O bebê deve abrir bem a boca e abocanhar boa parte da aréola. Durante a sucção, os lábios devem ficar voltados para fora, o queixo encostado na mama e as bochechas arredondadas.
Outro sinal positivo é a deglutição. Após algumas sucções, é esperado que a mãe consiga perceber o bebê engolindo de maneira suave.
Quando a amamentação continua dolorosa ou apresenta problemas que não melhoram, a recomendação é procurar ajuda especializada. Tentar resolver a situação sozinha por muitos dias pode aumentar o desgaste da mãe e trazer riscos para o bebê.
A orientação é buscar suporte em até 24 a 48 horas diante de uma dificuldade persistente. De acordo com a especialista, esse acompanhamento pode evitar que a mãe chegue ao esgotamento e que o bebê desenvolva desidratação ou tenha ganho de peso inadequado.
O atendimento pode ser realizado com o pediatra ou em um Banco de Leite Humano (BLH). Com orientação adequada, é possível identificar a origem do problema, corrigir a pega e outras dificuldades e aumentar as chances de manter a amamentação de forma segura e tranquila.
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