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Quase 4% dos tocantinenses têm dificuldade permanente para enxergar; veja sinais que não devem ser ignorados

Dados do Censo 2022 revelam cenário preocupante no Estado, enquanto especialista alerta para sintomas que podem indicar desde alterações no grau até doenças oculares mais graves.

01/09/2026 às 07h00
Por: Sirleyva Braz
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Aquela dor de cabeça depois de horas no celular, a dificuldade para enxergar placas à distância ou a necessidade de afastar cada vez mais o livro para conseguir ler podem parecer situações comuns. Mas alterações na visão nem sempre devem ser tratadas como algo normal da rotina.

No Tocantins, 3,9% das pessoas com 2 anos ou mais apresentam dificuldade permanente para enxergar, mesmo utilizando óculos ou lentes de contato, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. O número chama atenção para a importância do acompanhamento da saúde ocular e da identificação precoce de alterações na visão.

A dificuldade para enxergar pode estar relacionada a problemas de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, mas também pode aparecer como consequência de doenças que exigem acompanhamento médico, entre elas catarata, glaucoma, alterações na retina e complicações relacionadas ao diabetes.

Por isso, quando a visão começa a mudar, o ideal é investigar a causa em vez de simplesmente aumentar o grau dos óculos ou esperar que o problema desapareça.

Sintomas que merecem atenção

Alguns sinais podem surgir de maneira gradual e acabar sendo incorporados à rotina. Entre eles estão visão embaçada, dificuldade para ler, dores de cabeça frequentes, sensibilidade à luz e piora para enxergar durante a noite.

Também exigem atenção alterações como aparecimento de manchas ou flashes na visão e perda de parte do campo visual. Nesses casos, a avaliação oftalmológica é importante para identificar se existe alguma alteração que precise de tratamento.

“Visão embaçada, dificuldade para ler, dor de cabeça frequente, sensibilidade à luz, piora para enxergar à noite, manchas, flashes ou perda de parte do campo visual são sinais que precisam ser avaliados. Nem toda alteração indica uma doença grave, mas o exame é o que permite identificar a causa e definir a conduta adequada”, explica o diretor médico e oftalmologista Dr. Giusepe Graciolli.

Doenças podem avançar sem causar dor

Um dos principais motivos para manter consultas oftalmológicas periódicas é que algumas doenças podem evoluir silenciosamente. Glaucoma e determinadas alterações na retina, por exemplo, podem avançar sem provocar dor ou sintomas perceptíveis nas fases iniciais.

Quando o diagnóstico demora, o paciente pode chegar ao atendimento somente depois que a capacidade visual já foi comprometida.

O cuidado merece atenção especial entre pessoas com histórico familiar de doenças oculares, diabetes, hipertensão, doenças autoimunes, idade avançada ou mudanças frequentes no grau dos óculos.

Problema afeta milhões de pessoas no mundo

A preocupação com a saúde dos olhos não é exclusiva do Tocantins. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,2 bilhões de pessoas no mundo apresentam algum tipo de comprometimento da visão. Em pelo menos 1 bilhão desses casos, a condição poderia ter sido evitada ou ainda não recebeu o tratamento adequado.

A dificuldade visual pode interferir diretamente em atividades básicas do cotidiano, como estudar, trabalhar, dirigir, utilizar o celular, ler e até reconhecer pessoas ou obstáculos.

Consulta ajuda a descobrir a causa

De acordo com o especialista, não existe uma frequência única de consultas que sirva para todas as pessoas. A necessidade de acompanhamento varia conforme a idade, sintomas, histórico de saúde e fatores de risco de cada paciente.

Em Palmas, o Hospital de Olhos de Palmas, que atua há mais de três décadas na área, reforça a importância da prevenção e do acompanhamento regular.

“A visão participa de quase tudo que fazemos, mas muita gente só procura atendimento quando a dificuldade já está limitando a rotina. Cuidar antes é uma forma de preservar autonomia, conforto e segurança nas atividades do dia a dia”, afirma Dr. Giusepe Graciolli.

A principal orientação é não esperar a visão piorar significativamente para procurar ajuda. Mudanças persistentes ou repentinas na capacidade de enxergar merecem avaliação, mesmo quando parecem pequenas. Identificar a causa no início pode fazer diferença na preservação da saúde ocular e da qualidade de vida.

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