
Aquela dor de cabeça depois de horas no celular, a dificuldade para enxergar placas à distância ou a necessidade de afastar cada vez mais o livro para conseguir ler podem parecer situações comuns. Mas alterações na visão nem sempre devem ser tratadas como algo normal da rotina.
No Tocantins, 3,9% das pessoas com 2 anos ou mais apresentam dificuldade permanente para enxergar, mesmo utilizando óculos ou lentes de contato, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. O número chama atenção para a importância do acompanhamento da saúde ocular e da identificação precoce de alterações na visão.
A dificuldade para enxergar pode estar relacionada a problemas de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, mas também pode aparecer como consequência de doenças que exigem acompanhamento médico, entre elas catarata, glaucoma, alterações na retina e complicações relacionadas ao diabetes.
Por isso, quando a visão começa a mudar, o ideal é investigar a causa em vez de simplesmente aumentar o grau dos óculos ou esperar que o problema desapareça.
Alguns sinais podem surgir de maneira gradual e acabar sendo incorporados à rotina. Entre eles estão visão embaçada, dificuldade para ler, dores de cabeça frequentes, sensibilidade à luz e piora para enxergar durante a noite.
Também exigem atenção alterações como aparecimento de manchas ou flashes na visão e perda de parte do campo visual. Nesses casos, a avaliação oftalmológica é importante para identificar se existe alguma alteração que precise de tratamento.
“Visão embaçada, dificuldade para ler, dor de cabeça frequente, sensibilidade à luz, piora para enxergar à noite, manchas, flashes ou perda de parte do campo visual são sinais que precisam ser avaliados. Nem toda alteração indica uma doença grave, mas o exame é o que permite identificar a causa e definir a conduta adequada”, explica o diretor médico e oftalmologista Dr. Giusepe Graciolli.
Um dos principais motivos para manter consultas oftalmológicas periódicas é que algumas doenças podem evoluir silenciosamente. Glaucoma e determinadas alterações na retina, por exemplo, podem avançar sem provocar dor ou sintomas perceptíveis nas fases iniciais.
Quando o diagnóstico demora, o paciente pode chegar ao atendimento somente depois que a capacidade visual já foi comprometida.
O cuidado merece atenção especial entre pessoas com histórico familiar de doenças oculares, diabetes, hipertensão, doenças autoimunes, idade avançada ou mudanças frequentes no grau dos óculos.
A preocupação com a saúde dos olhos não é exclusiva do Tocantins. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 2,2 bilhões de pessoas no mundo apresentam algum tipo de comprometimento da visão. Em pelo menos 1 bilhão desses casos, a condição poderia ter sido evitada ou ainda não recebeu o tratamento adequado.
A dificuldade visual pode interferir diretamente em atividades básicas do cotidiano, como estudar, trabalhar, dirigir, utilizar o celular, ler e até reconhecer pessoas ou obstáculos.
De acordo com o especialista, não existe uma frequência única de consultas que sirva para todas as pessoas. A necessidade de acompanhamento varia conforme a idade, sintomas, histórico de saúde e fatores de risco de cada paciente.
Em Palmas, o Hospital de Olhos de Palmas, que atua há mais de três décadas na área, reforça a importância da prevenção e do acompanhamento regular.
“A visão participa de quase tudo que fazemos, mas muita gente só procura atendimento quando a dificuldade já está limitando a rotina. Cuidar antes é uma forma de preservar autonomia, conforto e segurança nas atividades do dia a dia”, afirma Dr. Giusepe Graciolli.
A principal orientação é não esperar a visão piorar significativamente para procurar ajuda. Mudanças persistentes ou repentinas na capacidade de enxergar merecem avaliação, mesmo quando parecem pequenas. Identificar a causa no início pode fazer diferença na preservação da saúde ocular e da qualidade de vida.
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