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Polícia Civil deflagra Operação 2º Tempo para investigar esquema de desvio de recursos públicos destinados a clube de futebol em Tocantinópolis

Ação cumpriu oito mandados de busca; prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5,1 milhões

12/03/2026 às 10h27
Por: Francisco Costa
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou nesta quinta-feira, 12, a Operação 2º Tempo, com o objetivo de investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos do município de Tocantinópolis destinados a um clube de futebol. As equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços residenciais, órgãos públicos e na sede da entidade esportiva.

A ação foi realizada pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado, com apoio da Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote), 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), 3ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gurupi (DHPP-Gurupi) e Divisão de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT).

As investigações apuram a suspeita de prática dos crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os trabalhos tiveram início a partir de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaram movimentações suspeitas relacionadas a repasses de recursos públicos ao clube esportivo.

De acordo com a investigação, o esquema seria estruturado em três eixos principais. O primeiro consistiria na autorização de repasses irregulares de recursos públicos ao clube por gestores municipais, mesmo diante de decisões reiteradas do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) que apontavam a ilegalidade dessas transferências.

O segundo eixo envolveria o uso da entidade esportiva como estrutura de fachada, com a suposta falsificação ideológica de documentos, como atas e recibos, para conferir aparência de legalidade às transferências financeiras, que não teriam relação comprovada com atividades esportivas ou interesse público.

Já o terceiro eixo estaria relacionado à redistribuição e ocultação dos valores, que após serem transferidos para as contas da entidade, eram pulverizados para contas pessoais de dirigentes e terceiros ligados ao esquema. As investigações identificaram intensa movimentação financeira e saques em espécie, prática comumente utilizada para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 5.141.154,17.

As apurações indicam que o fluxo de repasses investigado remonta ao ano de 2009, tendo se mantido de forma contínua até 2024. A investigação constatou que a irregularidade das transferências já havia sido apontada anteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado. Por meio do Acórdão nº 638/2009, o órgão julgou irregular a prestação de contas referente ao exercício de 2007, destacando a ausência de autorização legal para repasses de recursos públicos ao clube.

Ação policial

Para o cumprimento das diligências, a Polícia Civil mobilizou 34 policiais civis, sendo 32 investigadores e dois peritos, que atuaram na coleta de documentos administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis que poderão subsidiar o andamento das investigações.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, em locais estratégicos, incluindo residências de investigados, a sede do clube esportivo e setores da Prefeitura Municipal. Um dos investigados é policial militar da ativa e por isso a Polícia Militar do Tocantins também prestou apoio no cumprimento dos mandados.

Nome da operação

A denominação Operação 2º Tempo faz referência ao “segundo tempo” de uma partida de futebol, simbolizando a continuidade do enfrentamento a esquemas ilícitos que, segundo as investigações, teriam utilizado o esporte — uma das grandes paixões nacionais — como instrumento para práticas ilegais.

Combate à corrupção

A Polícia Civil do Tocantins destaca que o combate a crimes contra a administração pública é fundamental para a preservação da moralidade administrativa e para a proteção do patrimônio público. A instituição ressalta que continuará atuando de forma técnica e rigorosa na apuração de ilícitos, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos e resguardar o interesse coletivo.

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