Polícia Segurança Pública

Suspeito de invadir sistemas policiais e vender dados sigilosos é preso no Paraguai

Investigação da Polícia Civil do Tocantins aponta esquema sofisticado de fraude digital com lucro milionário.

30/04/2026 09h19
Por: Sirleyva Braz
 Suspeito foi capturado no Paraguai - Divulgação PC-TO
Suspeito foi capturado no Paraguai - Divulgação PC-TO

A Polícia Civil do Tocantins prendeu, no Paraguai, o principal investigado de um esquema criminoso especializado na captura e uso indevido de credenciais de acesso a sistemas de segurança pública. A ação foi conduzida pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Paraíso do Tocantins e teve início após ataques de phishing direcionados a policiais civis do estado.

O suspeito, residente em Paranavaí (PR), tentou fugir para o exterior ao perceber o avanço das investigações, mas acabou localizado e detido. Durante o cumprimento de mandados de busca, foram apreendidos um computador utilizado nos crimes e uma arma de fogo. Após a prisão, ele foi entregue às autoridades brasileiras e encaminhado para uma unidade prisional em Guaíra (PR).

De acordo com as apurações, o investigado atuava desde pelo menos 2024 aplicando golpes para obter logins e senhas de agentes de segurança. Com essas credenciais, ele acessava sistemas institucionais e realizava consultas ilegais de dados sigilosos, que eram posteriormente comercializados em plataformas clandestinas na internet.

A investigação revelou ainda a existência de uma estrutura tecnológica complexa, com uso de servidores virtuais e ferramentas de anonimização, como VPNs, para dificultar a identificação do criminoso. Mesmo com essas estratégias, os investigadores conseguiram rastrear a atuação do suspeito.

O esquema pode ter gerado cerca de R$ 90 mil em pouco mais de um mês, entre março e abril de 2026. A estimativa é de que os lucros totais ultrapassem R$ 6 milhões, valor que motivou o bloqueio judicial de bens e ativos financeiros do investigado. Ele também é alvo de apuração por lavagem de dinheiro, com indícios de uso de empresa de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos.

As diligências apontam que o suspeito possuía acessos a sistemas de segurança de diversos estados brasileiros, ampliando o alcance da atividade criminosa. No Tocantins, ao menos sete credenciais teriam sido comprometidas.

Batizada de “Operação Rollback”, a ação faz referência a um termo técnico utilizado para restaurar a integridade de bancos de dados. A operação integra a estratégia nacional de combate ao crime organizado e contou com apoio de forças policiais do Brasil e do Paraguai.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a responsabilização dos participantes do esquema.

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