Polícia Investigação

Empresa contratada pelo Governo do Tocantins em programa de aprendizagem é alvo de investigação por suposta lavagem de dinheiro

Polícia Civil de São Paulo apura movimentações financeiras atribuídas ao fundador da Renapsi; entidade mantém contrato milionário com o Estado.

13/05/2026 16h22
Por: Sirleyva Braz
Foto: Divulgação
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A Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração, responsável pela execução do programa Jovem Trabalhador no Tocantins, entrou no centro de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A entidade mantém contratos milionários com o Governo do Tocantins, incluindo um acordo firmado em 2022 superior a R$ 107 milhões.

O principal alvo da investigação é Adair de Freitas Meira, empresário de Goiás preso no fim de abril em Goiânia. Segundo as investigações, ele é suspeito de movimentar cerca de R$ 30 milhões por meio da Renapsi e de outras empresas ligadas ao grupo.

De acordo com a polícia paulista, parte dos recursos teria sido transferida para a fintech Forte Bank, apontada como instrumento utilizado para movimentações financeiras atribuídas à facção criminosa. O suposto operador do esquema, João Gabriel Iaoamaki, foi preso no Tocantins durante uma operação que apreendeu meia tonelada de cocaína e posteriormente transferido para São Paulo.

As investigações também apontam que a instituição financeira utilizava um endereço de fachada em uma sala comercial localizada na Avenida Teotônio Segurado, em Palmas. Segundo o delegado Fabrício Intelizano, o espaço serviria como base operacional para movimentações financeiras consideradas suspeitas.

No Tocantins, a Renapsi já havia sido alvo de auditorias e sindicâncias desde 2021, após suspeitas envolvendo pagamentos a jovens aprendizes supostamente inexistentes. O contrato chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado, mas acabou mantido para assegurar o pagamento de cerca de 1,5 mil participantes do programa.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) informou que o programa Jovem Trabalhador não é alvo da investigação e afirmou que os contratos seguem critérios legais, com acompanhamento do Ministério Público Estadual. A pasta também declarou que a apuração conduzida em São Paulo não possui relação direta com os contratos firmados pelo governo estadual.

A defesa de João Gabriel Iaoamaki afirmou que ele é inocente e negou qualquer participação em organização criminosa. Segundo os advogados, a investigação ainda está em fase inicial e manifestações mais detalhadas só ocorrerão após eventual denúncia formal.

A Polícia Civil de São Paulo informou que pretende comunicar estados e municípios que mantêm contratos com a Renapsi para recomendar a suspensão de novos repasses de recursos públicos enquanto as investigações continuam.

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