
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou preventivamente responsáveis por 699 imóveis rurais no Tocantins localizados em áreas consideradas de maior risco para incêndios florestais. A medida ocorre em meio ao avanço das queimadas no estado e busca orientar proprietários e produtores a adotarem ações para evitar que o fogo se espalhe e provoque grandes danos ambientais e econômicos.
Os imóveis aparecem no Edital de Notificação nº 44/2026, que também inclui propriedades situadas na Bahia, no Maranhão e no Piauí. A iniciativa estabelece uma série de recomendações para reduzir a possibilidade de incêndios e reforçar a preparação durante os períodos considerados críticos.
O alerta do Ibama ocorre após um mês marcado por números preocupantes. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Tocantins registrou 1.109 focos de fogo somente em junho de 2026.
No mesmo período, o estado teve 172.673 hectares atingidos pelas chamas, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. O número colocou o Tocantins na primeira posição entre os estados brasileiros em extensão de área queimada naquele mês.
Entre as orientações estão o controle de materiais que possam servir como combustível para o fogo, a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e áreas de vegetação nativa, além do monitoramento constante das propriedades durante os períodos de maior risco.
O Ibama também recomenda a capacitação dos trabalhadores para que estejam preparados para agir diante de situações de emergência.
Para o engenheiro ambiental Rodrigo Ribeiro, da Plêiade, empresa especializada em planejamento e regularização ambiental, a principal estratégia é agir antes que o problema aconteça.
“O produtor precisa conhecer os pontos mais vulneráveis da propriedade e se antecipar.”
Segundo o especialista, a prevenção envolve planejamento, identificação das áreas de maior risco, monitoramento e orientação das equipes que trabalham nas propriedades.
Além de colocar as medidas em prática, os responsáveis pelos imóveis devem manter registros das ações realizadas. Fotografias, mapas, relatórios de acompanhamento e comprovantes de treinamentos são alguns dos documentos que podem demonstrar a adoção das medidas preventivas.
Rodrigo destaca que a organização dessas informações também facilita o acompanhamento ambiental da propriedade e pode ser importante diante de notificações ou fiscalizações realizadas pelos órgãos competentes.
O descumprimento das medidas obrigatórias de prevenção e combate a incêndios pode gerar penalidades. Conforme o Decreto Federal nº 12.189/2024, as multas para responsáveis por imóveis rurais que deixarem de implementar as ações previstas podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 milhões.
Apesar do alerta, a notificação feita pelo Ibama não significa que o proprietário tenha provocado um incêndio ou cometido uma infração. O caráter da medida é preventivo: o objetivo é fazer com que os responsáveis se antecipem ao período de maior risco e reduzam as chances de o fogo atingir áreas de vegetação, propriedades rurais, estruturas e produção.
Com o avanço do período de estiagem e o histórico recente de queimadas no estado, o alerta reforça a necessidade de planejamento e monitoramento constante nas áreas rurais do Tocantins.
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