
Agosto termina com uma marca que o tocantinense já sentiu na pele: calor intenso, baixa umidade e períodos prolongados de tempo seco. E o cenário climático para setembro não indica uma mudança significativa. As projeções dos principais órgãos de monitoramento do país apontam que o El Niño continuará influenciando o clima brasileiro nos próximos meses, favorecendo temperaturas acima da média em boa parte do centro-norte do país.
O fenômeno foi oficialmente confirmado em junho de 2026 e, segundo o segundo boletim do Painel El Niño, formado por INMET, INPE, CEMADEN, ANA, SGB, SEDEC e CENSIPAM, os modelos apontam 100% de probabilidade de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027. Também existe alta probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
Para o trimestre que inclui setembro, as projeções indicam chuvas abaixo da média no centro-norte do Brasil, enquanto as temperaturas devem permanecer acima dos padrões climatológicos em grande parte do país. Esse cenário pode favorecer a ocorrência de novos episódios de calor intenso e ampliar a preocupação com incêndios florestais.
Por estar inserido na faixa central do país e fazer transição entre diferentes domínios climáticos, o Tocantins pode sentir os efeitos dessa combinação de calor, pouca chuva e umidade reduzida.
Na prática, isso significa que os períodos de tempo seco podem continuar mais frequentes, com maior dificuldade para a recuperação da umidade do solo e da vegetação. A ausência de chuvas regulares também pode contribuir para a elevação do risco de queimadas, principalmente em áreas rurais e de vegetação mais seca.
O CEMADEN já havia alertado que a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e precipitação abaixo da média poderia agravar a seca no centro-norte do Brasil e aumentar o risco de fogo a partir de agosto.
O cenário previsto não significa que todos os dias de setembro terão temperaturas extremas, mas indica uma maior probabilidade de períodos de calor acima do normal.
De acordo com os órgãos que integram o Painel El Niño, as temperaturas acima da média durante o segundo semestre podem aumentar a ocorrência de ondas de calor, especialmente na faixa central do Brasil.
Para o tocantinense, isso pode representar a continuidade de dias com sensação térmica elevada, noites quentes e baixa umidade relativa do ar, principalmente durante os períodos mais secos.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. Historicamente, o fenômeno tende a favorecer mais chuva no Sul, enquanto pode contribuir para condições mais secas em áreas do Norte e Nordeste. Na região central do país, há possibilidade de períodos mais secos durante a primavera.
A combinação prevista para os próximos meses acende um alerta para o avanço das queimadas. Calor acima da média + baixa umidade + pouca chuva deixa a vegetação mais seca e aumenta a facilidade de propagação do fogo.
O Ministério do Meio Ambiente também apontou aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e outubro, especialmente em áreas da Amazônia, Cerrado e Centro-Oeste.
No Tocantins, onde o Cerrado ocupa grande parte do território, o cenário exige atenção redobrada, principalmente em propriedades rurais, áreas de vegetação seca e regiões próximas a unidades de conservação.
A perspectiva de curto prazo não aponta para uma rápida dissipação do El Niño. Os modelos utilizados pelos órgãos oficiais indicam que o fenômeno deverá permanecer atuando até pelo menos o início de 2027, podendo atingir seu período de maior intensidade entre a primavera e o começo do verão.
Por isso, a recomendação dos órgãos de monitoramento é acompanhar regularmente as atualizações meteorológicas e os alertas oficiais. Além do calor e da seca, o comportamento do fenômeno pode provocar impactos sobre agricultura, disponibilidade hídrica, níveis de rios e reservatórios e ocorrência de incêndios.
Para setembro, portanto, o recado dos mapas climáticos é claro: o Tocantins ainda deve enfrentar uma combinação de calor persistente e pouca chuva, e a chegada da primavera não significa, necessariamente, o fim imediato do tempo seco.
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