
A falta de chuva não significa que o mosquito da dengue desapareceu. Em Palmas, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) reforça o alerta para a presença do Aedes aegypti durante o período de estiagem e orienta os moradores a aproveitarem os dias secos para eliminar possíveis criadouros antes da chegada das chuvas.
O cenário atual apresenta baixo índice de infestação. O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, registrou Índice de Infestação Predial (IIP) e Índice de Breteau (IB) de 0,2%. Segundo a Semus, o resultado pode estar relacionado à menor disponibilidade de água durante a seca.
Mesmo assim, o mosquito continua presente no ambiente. De acordo com a bióloga Renata Braga, da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ), os ovos colocados pelas fêmeas podem permanecer viáveis por meses sem contato com água. Quando encontram condições favoráveis, eles podem dar continuidade ao ciclo de desenvolvimento.
Um dos principais riscos está dentro das próprias residências. Tampinhas, brinquedos deixados no quintal, bebedouros de animais, bandejas de geladeira, ralos pouco utilizados, calhas e lonas podem acumular pequenas quantidades de água e se transformar em criadouros.
O armazenamento de água durante a estiagem também merece atenção. Baldes, tambores e caixas-d'água precisam permanecer devidamente tampados para impedir o acesso do mosquito.
Dados de vistorias e ovitrampas utilizadas pela Semus para monitorar a presença do vetor mostram que depósitos móveis, como bebedouros de animais, pratos de vasos e garrafas retornáveis, representam 46,7% dos recipientes onde foram encontradas larvas. Já depósitos fixos, como calhas e ralos, correspondem a 33,3%.
Atualmente, a região sul de Palmas concentra localidades consideradas de maior atenção dentro da estratificação de risco do município.
Em condições favoráveis, o desenvolvimento do Aedes aegypti, do ovo até a fase adulta, pode ocorrer em aproximadamente sete a dez dias. Por isso, a Semus recomenda que os moradores façam uma vistoria no imóvel pelo menos uma vez por semana.
A medida permite encontrar e eliminar os focos antes que o mosquito chegue à fase adulta e possa transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya.
A orientação também vale para condomínios e áreas coletivas. Em uma vistoria realizada recentemente em um edifício na região central de Palmas, agentes de combate às endemias encontraram larvas e pupas na rede de drenagem da área de lazer.
O caso chamou atenção para uma etapa importante do desenvolvimento do mosquito. Quando chega à fase de pupa, o inseto deixa de se alimentar e, por isso, o larvicida não apresenta a mesma eficácia. Nessa situação, a orientação é realizar a limpeza do local e retirar fisicamente as pupas e a água acumulada.
A Semus reforça que o período de estiagem é justamente uma oportunidade para reduzir os criadouros antes do aumento das chuvas. A recomendação é retirar água acumulada, lavar os recipientes, manter caixas-d'água fechadas e descartar corretamente objetos que possam acumular água.
Materiais que ainda serão utilizados devem permanecer protegidos e em locais cobertos para evitar que se transformem em criadouros quando as chuvas retornarem.
A população também é orientada a permitir o acesso dos agentes de combate às endemias durante as visitas aos imóveis. A colaboração dos moradores é considerada essencial para identificar focos que podem passar despercebidos no dia a dia.
Quem encontrar possíveis criadouros ou precisar solicitar uma visita da Vigilância em Saúde de Palmas pode entrar em contato pelo telefone (63) 3212-7917.
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