
Quando o assunto é saúde do coração, a menopausa costuma ser apontada como um período de maior atenção para as mulheres. No entanto, evidências recentes mostram que as mudanças relacionadas ao risco cardiovascular podem começar ainda antes, durante a perimenopausa, fase de transição que antecede a última menstruação.
Um estudo divulgado em 2026 pela American Heart Association, com mais de 9 mil mulheres, identificou que aquelas que estavam na perimenopausa tinham aproximadamente duas vezes mais chances de apresentar uma avaliação geral desfavorável da saúde cardiovascular em comparação com mulheres que ainda tinham ciclos menstruais regulares. A diferença permaneceu mesmo após os pesquisadores considerarem o fator idade.
Entre os indicadores que mais contribuíram para o resultado estavam alterações no colesterol e na glicemia. As oscilações hormonais características dessa etapa podem estar associadas a mudanças no metabolismo, na pressão arterial, na sensibilidade à insulina e no controle do peso.
A prevenção cardiovascular não deve levar em conta apenas a idade. Uma pesquisa publicada em 2026 na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, que analisou dados de mais de 2,4 milhões de mulheres, apontou que pacientes com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp), nova denominação proposta para a síndrome dos ovários policísticos (SOP), apresentaram risco 4,4 vezes maior de desenvolver eventos cardiovasculares ateroscleróticos, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Os dados reforçam a necessidade de observar fatores de risco ao longo da vida, principalmente entre mulheres que já apresentam condições como obesidade, diabetes, hipertensão, alterações no colesterol, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
Para a ginecologista e consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Luciana de Paiva Nery, a fase que antecede a menopausa deve ser encarada também como uma oportunidade para identificar alterações e adotar medidas preventivas.
A avaliação pode incluir a verificação da pressão arterial, colesterol total, LDL, HDL, triglicérides e glicemia, além do acompanhamento do peso, índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal.
A frequência dos exames, porém, não precisa ser igual para todas as mulheres. A recomendação deve considerar fatores como idade, histórico familiar, resultados anteriores e condições de saúde individuais.
Além do acompanhamento médico, atitudes adotadas no cotidiano podem ajudar a reduzir fatores de risco cardiovascular. Entre elas estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso, não fumar, consumo moderado de bebidas alcoólicas e atenção à qualidade do sono.
Alterações identificadas nos exames, como pressão elevada, colesterol alto, pré-diabetes ou diabetes, também precisam ser avaliadas individualmente e, quando indicado, tratadas.
A especialista destaca que a chegada da perimenopausa e da menopausa não deve ser vista apenas como uma fase marcada por sintomas hormonais. O período também pode servir para revisar hábitos, acompanhar indicadores de saúde e adotar medidas que contribuam para a proteção cardiovascular nas décadas seguintes.
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