

A confirmação de dois casos de encefalite causados pelo vírus do Nilo Ocidental no Tocantins reforça a importância de investigar sintomas neurológicos sem causa identificada. Embora a infecção seja considerada rara no Brasil, especialistas alertam que muitos pacientes podem ter contato com o vírus sem apresentar sinais da doença.
Segundo o infectologista e professor da Afya Porto Nacional, Jandrei Markus, os dois casos registrados no estado foram autóctones, ou seja, as pessoas infectadas não tinham histórico de viagem para outras regiões. De acordo com o especialista, como a maioria das infecções não provoca sintomas, a circulação do vírus pode passar despercebida.
A febre do Nilo Ocidental é uma doença viral transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. Na natureza, o vírus circula entre mosquitos e aves silvestres. Seres humanos e cavalos podem ser infectados, mas não são responsáveis por manter o ciclo de transmissão.
Aproximadamente 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. Quando aparecem, as manifestações mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo, vômitos e manchas avermelhadas na pele.
Em uma parcela menor dos casos, porém, a doença pode atingir o sistema nervoso e provocar complicações como encefalite, confusão mental, alteração da consciência, convulsões e paralisia. Idosos, pessoas com doenças crônicas e indivíduos imunocomprometidos estão entre os grupos com maior risco de desenvolver quadros graves.
Diante desse cenário, a identificação de alterações neurológicas sem explicação definida é considerada importante para orientar a investigação médica e a realização de exames específicos.
A confirmação da doença pode ser desafiadora porque os sintomas e os resultados de alguns exames podem se confundir com os de outras infecções virais, incluindo dengue e febre amarela.
O professor e coordenador do curso de Biomedicina da Afya Palmas, Luís Fernando Castagnino Sesti, explica que a produção de anticorpos contra diferentes vírus pode interferir nos testes laboratoriais. Por isso, resultados positivos precisam ser avaliados com cautela e, quando necessário, confirmados por métodos mais específicos.
A investigação pode incluir exames para detectar anticorpos no sangue e, em pacientes com manifestações neurológicas, no líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e a medula espinhal. Também pode ser utilizado o RT-PCR, método que identifica o material genético do vírus. O período da coleta e as condições de armazenamento e transporte das amostras são fundamentais para a confiabilidade dos resultados.
Atualmente, não existe vacina nem medicamento antiviral específico para tratar a febre do Nilo Ocidental. Por isso, a prevenção depende principalmente da redução da exposição aos mosquitos e do controle dos locais que favorecem sua reprodução.
Entre as medidas recomendadas estão eliminar recipientes com água parada, reduzir o acúmulo de matéria orgânica, utilizar repelente e instalar telas em portas e janelas. A proteção deve ser reforçada durante atividades ao ar livre.
Confusão mental, convulsões, alteração da consciência, fraqueza intensa ou paralisia são sinais de alerta e exigem atendimento médico imediato.
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