

O Tocantins deve contabilizar cerca de 350 novos casos de câncer de mama em 2026, sendo 70 em Palmas, conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Durante o Outubro Rosa, além da prevenção e do diagnóstico precoce, outro aspecto merece atenção: as dores que podem surgir durante o tratamento oncológico e permanecer mesmo após o fim de algumas etapas.
O desconforto pode estar associado à própria doença, a procedimentos cirúrgicos, à quimioterapia ou a outras terapias. Em determinadas situações, a dor persiste por meses e interfere no sono, na mobilidade e nas atividades cotidianas das pacientes.
Uma revisão científica publicada no British Journal of Anaesthesia, que reuniu dados de 187 estudos e quase 300 mil pacientes, identificou dor persistente por três meses ou mais em 35% das pessoas submetidas a cirurgias para tratar o câncer de mama.
Os sintomas podem variar de acordo com a causa e se manifestar como queimação, sensação de choque, formigamento, dormência ou aumento da sensibilidade. Algumas pacientes também enfrentam dificuldades para movimentar o braço e realizar tarefas habituais.
Dor persistente precisa ser investigada
Em Palmas, a Singular Clínica da Dor acompanha pacientes com quadros de dor crônica. Segundo o médico Wivaldo Neto, dores novas ou persistentes após o tratamento do câncer precisam ser avaliadas individualmente, considerando o histórico clínico e as terapias realizadas.
O especialista explica que identificar a origem do sintoma é fundamental para definir a abordagem mais adequada. A dor pode estar relacionada a alterações nos nervos, à cirurgia, ao uso de medicamentos ou a outros fatores que exigem investigação.
O tratamento pode incluir medicamentos, fisioterapia, reabilitação e outras estratégias combinadas. Em situações específicas, quando as abordagens convencionais não oferecem o resultado esperado, procedimentos intervencionistas podem ser avaliados.
Entre as alternativas está a neuromodulação, técnica que atua sobre o sistema nervoso para modificar a transmissão dos sinais relacionados à dor. A indicação depende de uma avaliação médica criteriosa, do tipo de dor e das condições clínicas de cada paciente.
Qualidade de vida também faz parte da recuperação
Mesmo após o encerramento de uma etapa do tratamento oncológico, algumas mulheres continuam convivendo com dores que afetam o descanso, o trabalho, os movimentos e a vida social.
Por isso, o acompanhamento deve considerar não apenas a intensidade do desconforto, mas também os impactos na rotina e a evolução da paciente ao longo do tempo.
A recuperação da qualidade de vida envolve avaliar se a mulher consegue voltar a dormir bem, recuperar os movimentos e retomar atividades que precisou interromper. A persistência da dor não deve ser ignorada, e a orientação é buscar avaliação profissional para identificar as causas e discutir as opções de tratamento.
Durante o Outubro Rosa, a atenção à saúde da mulher também inclui reconhecer sintomas que permanecem após o tratamento e buscar apoio para que a recuperação seja acompanhada de mais conforto, autonomia e bem-estar.
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