

O aumento excessivo de peso entre crianças e adolescentes se tornou um alerta de saúde pública em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a proporção de pessoas de 5 a 19 anos com obesidade passou de 2% em 1990 para 8% em 2024. No período mais recente, cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes viviam com a doença.
Apesar de o ganho de peso fazer parte do desenvolvimento infantil, alterações acima do esperado precisam ser acompanhadas. O diagnóstico não deve considerar apenas a aparência ou o número indicado pela balança. Peso, altura, idade, evolução do crescimento, histórico familiar e avaliação clínica são alguns dos fatores analisados pelos profissionais de saúde.
A endocrinologista Isabella Oliveira, do Sabin no Tocantins, explica que o acompanhamento não deve começar somente quando surgem complicações. Segundo ela, a avaliação precoce permite identificar fatores de risco e orientar mudanças de acordo com a realidade de cada criança.
Sinais que merecem atenção
Alguns sintomas podem indicar que a criança precisa de uma avaliação médica mais detalhada. Roncos frequentes, pausas na respiração durante o sono e sonolência durante o dia, por exemplo, podem estar relacionados a distúrbios respiratórios do sono.
Outro sinal que merece ser observado são áreas da pele mais escurecidas e espessas, principalmente no pescoço e nas axilas. Embora não sejam suficientes para confirmar uma doença, essas alterações podem estar associadas à resistência à insulina e devem ser informadas ao médico.
Dependendo da idade e dos fatores de risco, o profissional pode solicitar exames para verificar níveis de glicose, colesterol, triglicerídeos e enzimas do fígado. A investigação é individualizada e não significa que todas as crianças com excesso de peso precisarão realizar os mesmos exames.
Família tem papel fundamental no tratamento
O cuidado contra a obesidade infantil envolve toda a família. A rotina alimentar, o sono e as oportunidades para brincar e praticar atividades físicas podem ser reorganizados de maneira gradual, respeitando as condições e possibilidades de cada casa.
A recomendação é evitar dietas restritivas ou mudanças radicais sem acompanhamento profissional. O foco deve estar na saúde e no bem-estar, e não em cobranças relacionadas à aparência.
“Quando os responsáveis participam, a criança encontra apoio para construir novos hábitos. As metas precisam ser viáveis, sem cobranças sobre o corpo, comparações ou culpa”, orienta Isabella Oliveira.
A médica também destaca a importância de observar o comportamento da criança e possíveis situações de bullying, isolamento ou sofrimento emocional. A relação com o próprio corpo e com os colegas pode ser afetada quando o excesso de peso se torna motivo de comentários ou exclusão.
Saúde emocional também entra no cuidado
A preocupação com os impactos emocionais faz parte das novas orientações internacionais sobre obesidade infantil. Em 7 de outubro, a OMS publicou suas primeiras diretrizes globais específicas para o manejo da doença em crianças e adolescentes, recomendando uma abordagem que combine alimentação adequada, atividade física e mudanças de comportamento, com participação da família e cuidados compatíveis com cada faixa etária.
Por ser considerada uma doença crônica, a obesidade exige acompanhamento contínuo. As estratégias podem ser ajustadas conforme a criança cresce, sempre com objetivos relacionados à saúde, qualidade de vida e bem-estar.
A principal orientação aos responsáveis é não esperar o aparecimento de complicações para procurar ajuda. Quanto mais cedo os sinais forem avaliados, maiores são as possibilidades de identificar riscos, orientar a família e construir hábitos saudáveis de forma gradual e sem culpa.
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