

O Tocantins tem uma estimativa de 190 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio de 2026 a 2028, segundo projeção do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O cenário reforça a importância da prevenção, principalmente por meio da vacinação contra o HPV e da realização periódica dos exames de rastreamento.
A doença pode evoluir de forma silenciosa durante anos. No entanto, alterações que antecedem o câncer podem ser identificadas e tratadas antes de se transformarem em um tumor. A infecção persistente por determinados tipos de HPV, transmitido principalmente pelo contato sexual, está entre os principais fatores relacionados ao desenvolvimento da doença.
Durante o Outubro Rosa, campanha que também aborda a prevenção do câncer do colo do útero, especialistas reforçam que o acompanhamento deve continuar mesmo quando não existem sintomas.
Na rede pública, a vacina contra o HPV é oferecida em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de outros grupos que atendem aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde.
Na rede privada, a vacina nonavalente protege contra nove tipos do vírus e é indicada para pessoas de 9 a 45 anos, seguindo avaliação individual. No Sabin, a vacinação está disponível exclusivamente na unidade matriz, em Palmas.
Segundo o infectologista Rafael Nogueira, do Sabin no Tocantins, ter contato com o HPV não significa necessariamente desenvolver câncer. O maior risco está na permanência de determinados tipos do vírus no organismo por longos períodos.
A vacinação é recomendada preferencialmente antes do início da vida sexual, mas pessoas que já tiveram contato com o HPV também podem se beneficiar da proteção contra outros tipos contemplados pela vacina. O imunizante, porém, não trata uma infecção já existente e não substitui os exames preventivos.
O Papanicolau e o teste molecular de DNA-HPV são métodos utilizados no rastreamento, mas possuem funções diferentes. Enquanto o Papanicolau identifica alterações nas células do colo do útero, o teste de DNA-HPV detecta tipos do vírus relacionados ao desenvolvimento da doença.
O rastreamento é recomendado, de modo geral, para mulheres e outras pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual, inclusive aquelas que foram vacinadas.
Para o teste de DNA-HPV, após um resultado negativo, o intervalo previsto é de cinco anos, conforme os critérios clínicos. Já no Papanicolau, a orientação é realizar dois exames anuais consecutivos e, caso ambos apresentem resultado normal, passar para a repetição a cada três anos.
Mesmo sem dor ou outros sinais, o acompanhamento não deve ser adiado. Sangramento após relações sexuais, entre menstruações ou depois da menopausa, além de corrimento com sangue ou odor desagradável, precisam ser investigados.
O uso de preservativos também contribui para diminuir o risco de transmissão do HPV, embora não elimine completamente a possibilidade de infecção. Por isso, a proteção deve ser associada à vacinação e ao acompanhamento médico periódico.
Quando o câncer é diagnosticado, o tratamento depende do estágio da doença e pode envolver procedimentos cirúrgicos, radioterapia e quimioterapia.
A prevenção e o diagnóstico precoce aumentam as possibilidades de identificar alterações antes que a doença avance, tornando o acompanhamento regular uma das principais ferramentas contra o câncer do colo do útero.
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