
Uma investigação iniciada em 2025 levou a Polícia Civil do Tocantins a avançar sobre a estrutura de uma organização criminosa suspeita de comandar atividades ilícitas mesmo com integrantes presos. Deflagrada nesta quinta-feira (29), a Operação Stuart cumpriu mandados em Paraíso do Tocantins e em Cotia, no estado de São Paulo, e apura a possível participação de uma liderança da facção que atuaria fora do território tocantinense.
A organização é investigada por envolvimento em tráfico de drogas, cobranças ilegais de dívidas e ataques violentos. Segundo a Polícia Civil, integrantes custodiados mantinham comunicação clandestina com comparsas em liberdade para coordenar ações criminosas no município de Paraíso.
Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão. Em Paraíso do Tocantins, foram destinados quatro mandados de prisão e nove de busca. Já em Cotia (SP), as ordens judiciais incluíram uma prisão e três buscas.
De acordo com a investigação, a organização mantinha uma estrutura com divisão de funções entre pessoas presas e integrantes em liberdade. As apurações apontaram que os envolvidos coordenavam o tráfico de entorpecentes, movimentavam recursos e repassavam determinações por meio de familiares e companheiras que também seriam integrantes do grupo.
Os investigadores identificaram ainda possíveis mecanismos de controle interno, com aplicação de punições a membros que descumprissem as regras impostas pela facção.
Um dos focos da operação é um homem de 35 anos, identificado pelas iniciais R.P.S. e conhecido como “Yuri Alberto”, residente em Cotia (SP).
Conforme a Polícia Civil, ele seria ligado a setores da cúpula da facção conhecidos como “Sintonia da Fora do Ar” e “Pé Quebrado”. A suspeita é de que o investigado exercesse influência sobre integrantes presos no Tocantins e em unidades prisionais paulistas, recebendo solicitações, autorizando ações e transmitindo ordens.
A possível participação dele na estrutura criminosa continua sob investigação.
Outro ponto considerado relevante pelos investigadores é a suspeita de funcionamento de um chamado “tribunal do crime”, mecanismo utilizado pela organização para decidir punições contra integrantes e pessoas que desobedecessem às suas determinações.
Segundo os elementos reunidos pela Polícia Civil, as sanções poderiam incluir ameaças, agressões físicas, chamadas pelos integrantes de “madeirada”, e até ordens de morte.
A investigação busca esclarecer como essas decisões eram tomadas e identificar os envolvidos nos diferentes níveis da estrutura criminosa.
A ação foi coordenada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins, com participação de unidades da Polícia Civil do Tocantins e de São Paulo, além de equipes da Polícia Penal tocantinense.
A operação também integra a Operação Protetor de Divisas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com apoio de órgãos especializados em inteligência e combate ao crime organizado.
Segundo o delegado Antonio Onofre Oliveira da Silva Filho, responsável pela investigação, o trabalho permitiu aprofundar o mapeamento da estrutura criminosa, desde os integrantes suspeitos de executar as atividades ilícitas até a possível atuação de uma liderança localizada fora do estado.
As investigações continuam para esclarecer os crimes apurados e identificar outros possíveis envolvidos.
O nome Operação Stuart faz referência a celulares pequenos que, segundo a investigação, eram utilizados para manter a comunicação clandestina entre integrantes da facção. A denominação alude ao personagem Stuart Little, conhecido pelo tamanho reduzido.
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