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Bossa sempre nova e a alfabetização cultural

Por que a “humilhação” da Bossa Nova é o seu único caminho para a imortalidade?

19/02/2026 às 16h06 Atualizada em 19/02/2026 às 16h32
Por: Danilo Rodrigues
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Bossa sempre nova e a alfabetização cultural

Lançado no dia 13 de janeiro de 2026, Bossa Sempre Nova é um álbum de Luísa Sonza em parceria com Toquinho e Roberto Menescal. Um choque entre o pop e o violão de nylon. O disco reúne releituras de clássicos da bossa nova na voz da cantora pop e uma música inédita chamada “Um pouco de mim”. Um ato de coragem produzir algo dentro de um estilo tão elitizado, mas Luísa o fez ao lado de grandes nomes, talvez para tentar romper com as barreiras que o álbum tem enfrentado desde o lançamento.

O público da Luísa recebeu bem o álbum, típico de qualquer fã que se importe com o trabalho do artista; fãs da bossa nova ou não gostaram ou não ficaram sabendo do lançamento; já a crítica especializada não aprovou o trabalho ousado. Parte dos críticos aponta que a voz de Luísa não corresponde ao estilo, como se sua voz não tivesse densidade o suficiente para a bossa nova. Apesar de ter gostado do resultado, preciso concordar que a voz da cantora não se encaixa no que esperamos da estética do gênero, apesar de os arranjos estarem fiéis ao estilo.

Na bossa nova, esperamos vozes maduras — ainda que pequenas — como as de Nara Leão, Maysa e Alaíde Costa. Luísa Sonza é jovem e ainda possui uma voz “infantil” que não orna com o estilo do seu novo álbum. Isso causa estranheza entre os fãs da bossa que estão acostumados com a estética padrão do estilo: vozes suaves, mas com uma grande carga emocional e com vestígios do tempo. O novo lançamento tem qualidades que valem a pena destacar: além de desafiar a artista com um novo gênero, Bossa Sempre Nova está sendo responsável por apresentar o gênero para a nova geração. Dessa forma, a bossa será sempre nova.

Bossa Sempre Nova pode funcionar como um disco de alfabetização cultural. Através dele, a nova geração pode chegar a conhecer o trabalho de Nara Leão, Maysa e Alaíde Costa, além de tantos outros artistas que fazem parte do cânone da Bossa Nova. Por mais que Bossa Sempre Nova não seja um dos melhores discos do gênero, ele coloca todos os outros em um possível destaque para um novo público consumidor.

Pode não parecer justa a ideia de um gênero se “humilhar” para não cair no esquecimento, mas é o preço que se paga para que o estilo não morra e permaneça no imaginário do brasileiro. Bossa Sempre Nova é honesto em seus arranjos e honesto em se portar como um prefácio para uma nova curadoria que o novo público deve fazer ao ouvir o álbum.

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