
A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), a Operação Pedra Furada, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e outras irregularidades na administração de Darcinópolis. A ação foi conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC), de Araguaína.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além de medidas determinadas pela Justiça para bloquear valores e sequestrar bens que podem estar relacionados aos crimes investigados. As apurações envolvem fatos que teriam ocorrido entre 2016 e 2024 e alcançam ex-agentes públicos, servidores, empresários e particulares.
Segundo a Polícia Civil, a investigação reúne 11 inquéritos, sendo dez deles originados de procedimentos encaminhados pela Procuradoria-Geral de Justiça. Entre os crimes apurados estão organização criminosa, peculato, fraude em licitações, desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Uma das principais frentes da investigação apura o possível desvio de aproximadamente R$ 1 milhão em recursos federais destinados ao combate à Covid-19. Conforme os elementos reunidos, parte desse dinheiro pode ter sido utilizada na estruturação de uma empresa privada de perfuração de poços e na aquisição de equipamentos pesados.
Entre os bens está uma máquina perfuratriz de poços artesianos de alto valor, que teve o sequestro e a remoção determinados pela Justiça.
A Polícia Civil identificou suspeitas relacionadas a contratos e pagamentos por serviços que, segundo a investigação, podem não ter sido efetivamente realizados.
Um dos casos envolve serviços de digitalização do acervo municipal e levantamento patrimonial que teriam sido executados por servidores da própria Prefeitura, utilizando equipamentos e estrutura pública.
Também estão sob análise mais de R$ 3,6 milhões pagos em contratos de manutenção da frota municipal. A investigação aponta que algumas empresas contratadas não apresentariam estrutura compatível com o volume dos serviços pagos.
Outro inquérito investiga possíveis irregularidades no Concurso Público nº 001/2023. A Polícia Civil apura suspeitas de direcionamento na escolha da banca organizadora e possível manipulação de resultados para favorecer pessoas ligadas a agentes públicos e políticos locais.
Também são analisadas possíveis interferências na desclassificação de empresas concorrentes e contatos prévios entre integrantes da administração municipal e representantes da empresa responsável pelo concurso.
As investigações apontaram ainda possível evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados por um dos principais investigados.
Diante dos indícios, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 2 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de cinco imóveis e seis veículos, incluindo caminhões, caminhonetes, ônibus e reboque.
Também foram alcançados pelas medidas uma máquina perfuratriz e rebanho bovino registrado em nome de terceiro. Segundo a Polícia Civil, as medidas têm como objetivo preservar bens que possam estar relacionados aos crimes e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Durante o cumprimento de um dos mandados nesta quinta-feira, policiais localizaram munições calibre .22 na residência de um ex-gestor investigado.
Ele foi levado à 5ª Central de Atendimento da Polícia Civil, em Araguaína, onde acabou autuado em flagrante por posse irregular de munição de uso permitido.
As investigações continuam. Os materiais apreendidos serão analisados pelos investigadores, que buscam esclarecer a participação de cada envolvido, identificar a destinação dos recursos públicos e localizar possíveis valores ou bens ocultados.

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