
A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas um recurso de eficiência para se tornar um elemento central na estética, na estratégia e na forma como criadores de conteúdo se conectam com seus públicos. Em meio à produção acelerada e a formatos cada vez mais curtos, a disputa pela atenção passa menos pela perfeição técnica e mais pela capacidade de gerar identificação, contexto e autenticidade.
Globalmente, a IA já virou parte central do workflow criativo: uma pesquisa da Adobe com 16 mil criadores indicou que 86% usam IA generativa em suas rotinas criativas e 81% dizem que ela permite produzir conteúdos que não conseguiriam fazer sem essa tecnologia.
No Brasil, creators já conseguem produzir em escala profissional sem abrir mão de uma linguagem autoral. A adoção de ferramentas com IA tem liberado tempo, reduzido etapas operacionais, ampliado a segurança criativa e reforçado a importância da curadoria humana.
De olho nesse movimento, a Adobe tem acompanhado a evolução do comportamento de consumo de conteúdo e mapeado tendências que impactam diretamente o trabalho de criadores e profissionais criativos. A valorização de conteúdos que priorizam a humanidade em meio à homogeneização gerada por ferramentas automatizadas.
Com o objetivo de tornar a transformação de ideias em conteúdos audiovisuais mais ágil e acessível, a empresa vem apresentando atualizações frequentes com IA em seu ecossistema de soluções — como o Creative Cloud, um conjunto de mais de 20 aplicativos profissionais, incluindo Firefly e Premiere para dispositivos móveis.
"É um desafio ampliarmos o controle e a liberdade de criação ao mesmo tempo em que acompanhamos a evolução do mercado, os novos comportamentos de consumo e em como as novas gerações de profissionais criativos se posicionam. Em 2026, quem souber estabelecer uma relação de parceria com a IA terá mais chances de redefinir narrativas, estética e relevância cultural", afirma Vivian Kuppermann, gerente sênior de Marketing da Adobe.
A IA nas redes sociais
Para Vivian, dominar a colaboração entre humano e máquina será determinante nos próximos anos. "Estamos colocando nas mãos de criadores ferramentas que tornam a produção de vídeo mais fluida, do conceito inicial à entrega final, sem substituir o olhar criativo", diz.
Para ela, cinco características devem prevalecer, sendo exploradas pelos creators e impactando o dia a dia de quem consome os conteúdos nas redes sociais.
Foco em momentos
Ideias fixas estão defasadas. Os creators podem gerar mais identificação em suas versões fluidas, multifacetadas, que variam conforme humor, contexto e fase de vida. "Um estresse matinal no trânsito, aquela euforia após exercícios físicos ou uma conquista no trabalho são exemplos de conteúdo que geram engajamento orgânico, enquanto abordagens genéricas padronizadas por IA se perdem no ruído".
Modo híbrido ativado
A fronteira real/digital dissolveu-se. Experiências híbridas viraram padrão. "Temos QR Codes em cartazes urbanos que liberam playlists secretas, check-ins geolocalizados desbloqueiam histórias exclusivas, posts de Instagram ativam desafios físicos offline. Os creators têm que se atentar a esta simbiose entre físico e virtual que constrói comunidades leais".
Imersão e novelinhas
Marcas e criadores de conteúdo têm investido no universo ficcional. São personagens recorrentes, micro-histórias seriadas, mundos exagerados que transitam entre o real e o estranho, o cotidiano e o improvável. "É notável a crescente oferta de novelas, disponibilizadas em Stories, Reels ou Shorts. A Globo, por exemplo, anunciou o uso deste recurso para aprofundar em personagens de novelas que já não estão mais no ar. Para quem não tem uma plataforma própria, é possível explorar recursos como divulgar episódios e o desfecho para assinantes ou inscritos. São várias as possibilidades de engajar, de entreter e monetizar", ilustra a executiva da Adobe.
Transparência, sempre
Públicos exigem saber: onde a máquina ajudou, onde o humano decidiu. A IA pode estar presente nos vídeos e fotos editados, mas é prudente e gera confiança deixar bem claro o que é real e o que é artificial. Segundo Vivian, "a transparência caminha lado a lado com a responsabilidade. Com o uso de IA, os creators podem construir credibilidade ou apresentar, desnecessariamente, vulnerabilidade ética e criativa".
Muitos Shorts
YouTube Shorts será o maior rio de distribuição orgânica em 2026. Não exige perfeição estética, mas sim volume consistente. "Premiere para iPhone permite que o Shorts seja editado nativamente, com aplicação de modelos visuais profissionais, transições sofisticadas e exportação em segundos. E a dica de ouro é: recorte e produza clipes de poucos segundos. É um formato que permite a marcas e creators ampliarem a presença online", conclui a gerente sênior de Marketing da Adobe.
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