
O uso de Inteligência Artificial nas empresas brasileiras passou de 13% para 17% entre 2024 e 2025 e chegou a 50% entre as grandes empresas, segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. O avanço mostra que a IA já faz parte da realidade corporativa, mas também levanta uma questão importante para os negócios que estão entrando nessa agenda. Antes de escolher uma ferramenta, a empresa precisa entender quais problemas quer resolver e como a tecnologia será incorporada à rotina de trabalho.
Entre as empresas que já utilizam IA, 80% adquiriram softwares ou sistemas prontos para uso, conforme o mesmo levantamento. Essas soluções podem acelerar a adoção da tecnologia e facilitar o acesso de empresas de diferentes portes, mas tendem a entregar menos resultado quando são aplicadas sobre processos desorganizados, tarefas mal definidas ou equipes que não receberam orientação para usar os recursos no dia a dia.
Para Raffa Nunes, especialista em Inteligência Artificial aplicada aos negócios e Arquiteto de Empresas Inteligentes, a implementação precisa começar por uma leitura clara da operação. “Antes de contratar um sistema, a empresa precisa entender onde perde tempo, onde existe retrabalho, quais dados estão disponíveis e que parte da operação realmente pode ganhar eficiência com automação ou apoio de inteligência artificial. A ferramenta é importante, mas ela só funciona bem quando entra em um processo que foi pensado”, afirma.
A adoção sem planejamento pode criar uma falsa sensação de inovação, especialmente quando diferentes áreas contratam ferramentas que não conversam entre si ou quando a empresa tenta automatizar fluxos que já eram confusos antes da tecnologia. Uma implementação mais estratégica passa pelo mapeamento de gargalos em áreas como atendimento, vendas, financeiro, operação e gestão de informações, além de testes em etapas, treinamento da equipe e acompanhamento dos resultados.
A IA pode apoiar decisões, reduzir tarefas repetitivas e melhorar a produtividade, mas esses ganhos dependem da forma como a tecnologia entra na operação. Quando a empresa parte de um diagnóstico claro, fica mais fácil escolher ferramentas, orientar a equipe e acompanhar se os resultados aparecem na prática. “A pergunta não deve ser qual IA está na moda, mas qual problema precisa ser resolvido. Quando existe método, a tecnologia entra para melhorar uma operação que foi pensada. Quando não existe, a empresa corre o risco de empilhar sistemas, gastar mais e continuar com os mesmos gargalos”, destaca Raffa.
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