
O Brasil está envelhecendo, e essa transformação demográfica já começa a exigir mudanças na forma como hospitais, clínicas e demais serviços de saúde recebem e acompanham seus pacientes. Em 2022, o país tinha 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, um aumento de 57,4% em relação a 2010, quando eram 14,1 milhões. Os dados são do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A participação da população idosa também aumentou de forma significativa. Em 2010, as pessoas com 65 anos ou mais representavam 7,4% dos brasileiros. Doze anos depois, esse percentual chegou a 10,9%.
Esse cenário coloca novos desafios para o setor de saúde. A necessidade de adaptação vai além da estrutura física das unidades. Sinalização mais clara, iluminação adequada, espaços de espera confortáveis, acessibilidade e redução de deslocamentos dentro dos estabelecimentos são medidas que podem facilitar a jornada dos pacientes.
O envelhecimento não acontece da mesma maneira para todas as pessoas. Enquanto parte dos idosos mantém uma rotina independente e ativa, outros podem apresentar limitações relacionadas à mobilidade, visão ou audição e precisar de acompanhamento frequente.
Por isso, o planejamento dos serviços de saúde precisa considerar diferentes níveis de autonomia. A comunicação com o paciente também ganha importância, principalmente quando há necessidade de compreender prescrições, orientações médicas ou etapas do tratamento.
Em nota metodológica publicada em 2026, o Ministério da Saúde estabeleceu entre os objetivos do cuidado à pessoa idosa na Atenção Primária a ampliação do acesso, a identificação precoce das necessidades e o acompanhamento coordenado e contínuo.
A proposta reforça a importância de um modelo que não esteja concentrado apenas no atendimento de situações agudas. Prevenção, monitoramento e continuidade do cuidado também devem fazer parte da assistência.
Outro ponto que precisa ser considerado é a participação de familiares e acompanhantes. Em determinadas situações, o idoso pode depender de outra pessoa para fornecer informações, compreender orientações ou dar continuidade aos cuidados após deixar a unidade de saúde.
Para o administrador, empresário e especialista em saúde Domingos Quirino de Freitas, que possui 15 anos de experiência em gestão hospitalar e gestão de pessoas nos setores público e privado, a preparação dos serviços deve levar em conta toda a experiência do paciente.
“O envelhecimento não ocorre da mesma forma para todos. Há pessoas idosas independentes e ativas, enquanto outras apresentam limitações de mobilidade, visão ou audição e necessitam de acompanhamento contínuo. Por isso, não basta adaptar a estrutura física. É preciso avaliar se o paciente consegue agendar o atendimento, compreender as orientações, circular pela unidade e concluir todas as etapas com segurança”, afirma.
Com o aumento da população idosa, a tendência é que a discussão sobre acessibilidade, prevenção e continuidade do cuidado ganhe cada vez mais espaço. Para o setor de saúde, acompanhar essa mudança significa repensar não apenas os espaços físicos, mas também os processos e a forma de acolher diferentes perfis de pacientes.
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