

Dados de 2024 mostram mais de 121 mil hospitalizações de menores de até 14 anos; especialistas destacam a importância de capacitação, protocolos de emergência e equipes preparadas nas escolas.
Acidentes envolvendo crianças e adolescentes continuam sendo motivo de preocupação no Brasil. Em 2024, foram registradas 121.933 internações de pessoas com até 14 anos em decorrência dessas ocorrências, o equivalente a uma média de 334 hospitalizações por dia. Os dados são de um levantamento da Aldeias Infantis SOS, com informações do DataSUS, divulgado pela Agência Brasil.
O cenário reforça a importância de preparar ambientes que recebem crianças diariamente, especialmente as escolas, onde situações como quedas, engasgos, reações alérgicas e crises convulsivas podem exigir atendimento imediato.
Em uma emergência, a equipe escolar precisa agir rapidamente e de forma coordenada. Além de prestar os primeiros cuidados dentro de sua capacitação, é necessário acionar o socorro especializado, comunicar os responsáveis, organizar a chegada dos profissionais de saúde e garantir a segurança dos demais alunos.
Sem procedimentos previamente definidos, a equipe pode enfrentar dificuldades para distribuir as responsabilidades e tomar decisões em um momento delicado.
Lei Lucas prevê capacitação em primeiros socorros
Desde 2018, a Lei nº 13.722, conhecida como Lei Lucas, estabelece a obrigatoriedade de capacitação em noções básicas de primeiros socorros para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino de educação básica e de recreação infantil, públicos e privados.
A legislação também prevê a disponibilização de kits de primeiros socorros e a articulação das instituições de ensino com a rede de urgência e emergência da região, incluindo procedimentos para encaminhamento a unidades de saúde de referência.
A preparação, no entanto, precisa ir além do cumprimento formal da lei. É importante que os profissionais conheçam os procedimentos a serem adotados, saibam quem deve acionar o atendimento e estejam preparados para lidar com situações inesperadas.
Para Domingos Quirino, especialista em saúde com 15 anos de experiência em gestão hospitalar e de pessoas nos setores público e privado, a definição antecipada das responsabilidades ajuda a reduzir a improvisação durante uma ocorrência.
Segundo ele, a escola precisa estabelecer quem prestará o primeiro atendimento, quem chamará o socorro, quem receberá a equipe externa e quem ficará responsável por comunicar a família e acompanhar os outros estudantes.
Área Protegida pode auxiliar na organização das emergências
Outra medida que pode contribuir para a preparação das instituições é a adoção de serviços de Área Protegida. Conforme a modalidade contratada, esse tipo de serviço pode auxiliar na definição de fluxos internos, na organização dos contatos de emergência e na articulação com equipes especializadas.
A iniciativa não substitui os serviços públicos de urgência, nem dispensa a capacitação exigida pela legislação. A proposta é ajudar a escola a estruturar sua resposta e a organizar os procedimentos até a chegada do atendimento adequado.
A preparação também envolve revisar os materiais de primeiros socorros, orientar profissionais de diferentes turnos, facilitar o acesso das equipes de atendimento e manter os protocolos disponíveis e conhecidos por todos.
Prevenção começa antes de qualquer acidente
O preparo para emergências deve fazer parte da rotina de cuidado e segurança das instituições de ensino. A realização de treinamentos periódicos e a definição de responsabilidades podem ajudar a tornar a resposta mais organizada quando uma criança precisar de assistência.
Diante da média de 334 internações diárias registrada em 2024, a atenção à prevenção e aos primeiros socorros ganha relevância para escolas, profissionais da educação e famílias. A rapidez no acionamento do atendimento especializado e a organização da equipe podem fazer diferença em situações críticas.
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