

A falta de água potável, os impactos ambientais e as dificuldades para garantir o sustento estão entre os principais problemas enfrentados por comunidades tradicionais ribeirinhas e pescadores artesanais de Palmas. Os desafios foram identificados pelo Mapeamento Participativo das Comunidades Tradicionais Ribeirinhas e dos Pescadores Artesanais, cujos resultados foram apresentados pela Prefeitura na segunda-feira (19), durante evento no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI).
O levantamento foi realizado pela Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) e resultou em duas Notas Técnicas com dados sobre as condições de vida dessas populações, além de recomendações para orientar a formulação de políticas públicas.
Entre os ribeirinhos entrevistados, 85,9% apontaram a ausência de água potável como um dos principais problemas. O estudo também identificou ameaças ambientais que afetam diretamente a vida das comunidades, como a redução da fauna aquática e do pescado, mencionada por 73,3% dos participantes. A poluição da água por esgoto foi relatada por 60%, enquanto 56% citaram mudanças repentinas no nível do lago associadas à barragem.
A pesquisa também identificou desafios relacionados ao território, aos conflitos socioambientais e à comercialização do pescado entre os pescadores artesanais.
De acordo com os dados, 57,5% dos entrevistados vendem a produção diretamente aos consumidores, enquanto 41,3% dependem de atravessadores ou intermediários. O acesso a programas de compras governamentais também é limitado: apenas 3,8% dos participantes informaram ter acesso ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Os resultados apontam a necessidade de ampliar o acesso dessas comunidades a políticas públicas, fortalecer as condições de trabalho e buscar alternativas que contribuam para a geração de renda e a preservação dos recursos naturais.
Durante a apresentação, o secretário extraordinário de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Joelson Soares, destacou que o levantamento permite compreender melhor a realidade dessas populações e reforça a necessidade de atuação conjunta do poder público para enfrentar problemas históricos.
O encontro reuniu representantes de diferentes órgãos municipais, estaduais e federais, entre eles as secretarias municipais de Saúde, Educação e Mulher, a Fundação Municipal de Meio Ambiente, o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o Ministério Público do Tocantins (MPTO) e o Ministério da Pesca e Aquicultura.
Para o coordenador da Rede de Povos e Comunidades Tradicionais, João Bosco Campos, que também é ribeirinho, o mapeamento é importante para dar visibilidade a grupos que ainda enfrentam dificuldades para ter suas necessidades reconhecidas pelo poder público.
A superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura no Tocantins, Laena Brito, também destacou a importância da parceria com o Município para aproximar as comunidades das iniciativas federais.
As Notas Técnicas com os dados completos e as recomendações do levantamento deverão ser disponibilizadas em breve no site oficial da Prefeitura de Palmas.
Secretário da Seirdh, Joelson Soares, ressaltou a importância de estar presente nos territórios para conhecer as realidades.

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